Vera Roquette. "Cheguei a responder a nove mil cartas por mês"
por Maria Ramos Silva, Publicado em 12 de Julho de 2011
Se alguma vez escreveu à apresentadora do "Agora Escolha", saiba que uma das recordações lá em casa pode ser a sua
Passamos a definir o diagnóstico para que não se perca mais por diante. "Tennis elbow", cotovelo de ténis, ou epicondilite, situação clínica recorrente nos praticantes da modalidade disputada em court, como em qualquer outra actividade com utilização repetitiva dos músculos extensores do punho e dos dedos, exemplo do bowling. Ou da resposta a milhares de missivas ternurentas enviadas pelos fãs. Vera Roquette respondeu a todas e marcou para sempre uma geração que recorda a apresentadora ao lado do Tampinhas com uma camisola da cor do Frisumo. Dos separadores com óculos espelhados. Dos desenhos animados do Bocas enquanto o público dava palpites por telefone sobre as séries em concurso. 25 anos depois daquelas tardes saudosas, a cara do "Agora Escolha" pode estar a um passo de repescar o conceito, desta vez em versão online, para os seguidores 2.0. Entretanto, esteve enfiada em casa a escrever. Depois de "O Senhor da Lua", de "A Dona Ervilha Corre Mundo" e do recente "Zas Tras Pas Zuca Maluca", que conquistaram o público infantil e o Plano Nacional de Leitura, terminou este mês um livro para adultos, a sair em Setembro. Antes disso, abre a temporada de verão no seu T Clube. E é vê-la a sair de casa de madrugada para socorrer os amigos barrados à porta da discoteca.
Disse-me que a tinha apanhado num timing curioso quando lhe liguei.
Nada acontece por acaso, de facto. Tinha--lhe dito que não tinha tempo para entrevistas, e não faz sentido. Precisamos uns dos outros, portanto reorganizei-me. Foi--me pedido um projecto um bocadinho relâmpago, um livro com bom espírito, divertido e com algumas farpas. Deve sair em meados de Setembro mas ainda não posso desvendar muito. A editora disse-me que só tinha um mês e meio para escrever.
Enfiou-se em casa?
Foi pé no pedal e nunca mais ninguém me viu. Há dois meses que não saio de casa. Acho que você é a primeira pessoa a ver-me. O meu marido [José Manuel Trigo] vai ao Algarve e volta e eu continuo sentada na cadeira. Não escrevia para adultos há muito tempo. Há um ano e oito meses houve este milagre das crianças. Saem três livros. Depois da compilação das crónicas estive muito tempo parada, mas escrevia em blogues, nunca parei.
De onde vem essa ideia de escrever para crianças?
Não sei. Adoro crianças; não tenho filhos e não tenho desgosto nenhum por não ter filhos. Não me veria em casa só confinada aos filhos e ao marido. É horrível dizer isto, mas não. Há mulheres com essa missão. Mas adoro crianças. Outro dia estive num colégio público muito especial, o Belavista de Santa Iria da Azóia, extraordinário, com mulheres fantásticas a trabalhar lá. Vim cheiíssima. Quando temos estas acções geralmente vamos comer fora. Não fomos. Comi no gabinete da directora a comida dos miúdos, massa com peixe e um bocadinho de coentros.
Como são essas viagens pelo país a promover os livros?
É muito cansativo. Vinguei no meu livro porque o meu marido me ajudou muito. Com o primeiro livro nem sabia como as coisas aconteciam, depois percebi que era pelas escolas. Deixei um livro caído num hotel e uma empregada deu ao filho e apresentou numa escola e foi assim. Isto passa-se em Fátima. A partir daqui foi uma bola de neve. Agora já tenho vendedoras, mas fiz muito por mim, com o meu marido a guiar. Íamos para tudo quanto é sítio e comecei a vender. Com certeza haverá escritores mil vezes melhores que eu, mas além de escritora, e disseram-me isto na Leya e na Salamandra, há uma componente que já tinha no "Agora Escolha".
A comunicação?
E a empatia com as pessoas. Podia falar muito bem e as crianças rejeitarem-me.
As crianças que conhece hoje já não sabem o que era o "Agora Escolha".
Não, mas passaram a saber, através dos pais, que me conhecem. Ontem cheguei a casa e não podia acreditar. Abri o meu Facebook e já tinha 20 pedidos de crianças a perguntar quando voltava. É uma ternura tal. Um miúdo com seis anos já queria marcar um encontro através do Facebook. Achei uma graça. Mas de facto é um dom ter empatia, senão não pega. Mas sempre que os visito deixo sementes como fazia no "Agora Escolha". Ajuda-me muito a vender os livros.
Confessou-me que só depois do livro de crónicas percebeu que podia ganhar dinheiro com a escrita.
Sim, com as crónicas que publiquei no DN durante anos não apareceu nada, depois surgiu dinheiro com os direitos de autor, há dois anos. Pensei: por que razão não havia de continuar a escrever, se adoro? Estava a escrever para a internet sem ninguém saber quem eu era. Disseram-me que era difícil editar livros para crianças, e é verdade.
Por ser uma outsider, pela concorrência?
É sempre uma concorrência, por menor que seja. O mais engraçado é que a primeira história que fiz, para mim a melhor, ainda está na gaveta, disseram-me que estava óptima e quando lá cheguei foi rejeitada. Hoje tenho a consciência que podia ser aprimorada e que bastava isso. Fiquei traumatizada e estive cinco anos sem escrever, desde 2004. Só escrevia para a net; tive um blogue activo com uma personagem. Um dia contei esta mágoa ao Luís Villas Boas e ele disse-me: "Guarde essa estrela numa caixinha de onde vão sair muitas estrelas." E realmente saem quatro livros entretanto.
E um deles passou a integrar o Plano Nacional de Leitura.
Sim, "O Senhor da Lua", que já vai na segunda edição. Soube da novidade há dias. Ainda estou assim meio a pairar. As minhas histórias são sobretudo para a faixa dos 4 aos 12, mas abrangem muito mais idades. Agora o meu sonho é mandá-los para o Brasil. E bem posso dizer que o PNL é o meu novo partido.
Por falar em partidos, contou-me que chegou a ser assediada por diferentes cores políticas.
Sim, a política é uma paixão, mas é também um perigo. Já o meu avô, que era juiz, gostava de política. Aliás, todos na família gostamos; fazíamos noitadas a falar de política. Gostamos, acima de tudo, de intervir civicamente, que é o que tento fazer todos os dias, numa altura em que somos todos náufragos.
Mas desafiaram-na a uma participação mais activa.
Por duas vezes. Primeiro no tempo do Durão Barroso. Achei graça ser abordada. Os partidos querem sempre pessoas conhecidas. Mas nunca fui filiada sequer; o meu partido é o humanismo. Tenho feito sempre voto útil e aposto mais em pessoas que partidos. Depois foi já no tempo do governo Sócrates. Estava no Algarve e fui abordada por uma pessoa que lhe era próxima, por ter um discurso forte, apesar de já não escrever as crónicas no DN.
Qual era o desafio em concreto?
Não me especificaram para o que era, mas seria sempre ligado ao parlamento. Tinha de aparecer, dar o corpo ao manifesto. Teria de me expor e a política pode esfarrapar a vida de uma pessoa, além de que é preciso ter uma voz uníssona, o que compreendo, mas não aceitei. Preferiria sempre trabalhar nos bastidores, contribuindo com ideias..
Passando à área que conhece melhor, já lá vão 25 anos sobre o "Agora Escolha". Tem saudades do programa?
Nada. Zero. Ontem os miúdos perguntavam-me isso. Se me pedirem para ler algo para adultos desmaio para o lado, não gosto de me expor. Tenho de estar no T Clube e etc., mas não gosto. Mas com as crianças é um fascínio de sempre, se bem que agora tinha mesmo de descansar. Quando saem dois livros num ano e não tem a ajuda total das editoras, que não tem, é muito complicado. Como é que se vai daqui para todo o lado? Depois lá me começaram a ajudar com gasolina mas mesmo assim cancelei imensas idas. Escrever tem a ver com uma linha condutora, quando começamos não perdemos a mão. Como Saramago dizia, a inspiração não vem do céu, vem sentada a doer o rabo na cadeira. É claro que há dias em que se é capaz de fazer duas histórias que saem perfeitas, outras vezes encrava seis meses e não avança. São os 90% de transpiração. Mas falou-me do "Agora Escolha".
Sim, pediram-lhe até para passar o testemunho à nova apresentadora, no formato da RTP Memória.
Sim, mas acho que se agora me convidassem, não sei... Várias pessoas na internet pediam que me chamassem, e até posso dizer que estou em vias de firmar um exclusivo infantil, mas tudo depende do cachê. Só faço se for muito bem pago.
Como seria esse formato?
Interactivo, com resposta na hora, através de um site. Mas só se for mesmo bem pago. Agora televisão... nunca se deve voltar ao lugar onde se foi feliz, e quando houve uma receita muito bem feita e muito inteligente, sou apologista que se deve ficar por aí, e não se deve quebrar sonhos que correram bem. Aí se deve ao Carlos Pinto Coelho, que me chamou.
O que fazia na altura?
Estava a trabalhar numa produção, era assistente de realização de cinema, 18 horas por dia. Desde miúda que imitava os locutores de rádio, mas estava longe da televisão. Fiz de tudo. Trabalhei em publicidade, moda - que odiei -, nos bastidores do cinema com o Fernando Lopes. No meio deste circuito abrem vagas para locutoras na RTP. Concorro, fico, e tive de interromper um filme.
E acaba por marcar uma geração.
Marco. Achei muita graça que me ligasse a falar do "Agora Escolha". Deve ser bruxinha. Este livro que vai sair tem algumas páginas importantes sobre o programa, segredos, bastidores. Estava lá, vivi-o. Aliás, chego a dizer no livro que haverá mais novidades num outro livro.
Que curiosidades pode contar?
Fui chamada para apresentar histórias do Vitinho para as crianças adormecerem, depois o Carlos Pinto Coelho chamou-me para o "Agora Escolha". Ao terceiro dia tivemos logo 400 chamadas. Estava agarrado o programa. Claro, morro de vergonha dos primeiros programas que hoje vejo.
Eram os anos 80...
1986. Mas o "Agora Escolha" atinge o seu auge em 92, que foi uma coisa indescritível. Recebia 9 mil cartas por mês e respondia a todas. Cheguei a arranjar problemas no braço, tennis elbow. Até as minhas colegas ficavam chateadas porque enchia a sala das locutoras com milhões de cartas. Qualquer TV que se prezasse arquivava aquelas cartas, porque era uma enormidade. Passou de um programa para miúdos, que lançam a moda, para algo alargado até aos confins. Foi um programa de grande interactividade e depois disso apresentei outros programas, já no tempo do José Eduardo Moniz. Estavam muito interessados em alguns programas e tanto ele como o Carlos perguntavam-me: "Vera, como é que isto acabou?" Porque isto acaba com o Adriano Cerqueira. Nessa altura sou chamada para ir fazer um programa na TVI.
Do mesmo género?
Igual. Mas naquela altura fui completamente estúpida e não aceitei. Não era efectiva da RTP, estava lá há 15 anos a recibo verde, como locutora, e saía às tantas da manhã, mas acabava por ser como uma efectiva, picava ponto. Disse que ia se me dessem igualdade a sério, ficando segura por uns quatro anos. Agora, se era para ver se dava e acabou, isso não. E não fui. Depois chamaram a Cristina Caras Lindas, mas não era nada igual e o programa durou muito pouco tempo. Não é para me gabar, mas por isso é que digo que as receitas não se repetem. Tem a ver com a situação do programa mas também com muitas outras coisas.
Associavam-no à sua cara?
Não é só isso. As pessoas apercebem-se quando estamos a querer ser vedetas ou humanas. Lembro-me de uma frase de há séculos, de um miúdo: "Vera, tu furas o ecrã." Eu sentia-me sentada ao lado deles em casa. Isso é que é importante. E quando estou com elas nas escolas e me elogiam, chego a casa e até digo ao meu marido que isto é muito melhor que ter 300 mil homens a elogiarem-me, porque eles são sinceros no que dizem. Sentem que não vou ali só para vender o meu peixe. Gostam das histórias mas também há uma identificação. É por isso que o que passa na televisão não pode ser muito sofisticado, senão perde-se a identidade. O grande comunicador de TV é aquele que é ele próprio.
Do que mais se lembra desses 15 anos de televisão?
Lembro-me de não poder entrar nesta casa. Chegava ao Natal, e você não acredita, mas tinha um quarto lá atrás todo cheio de coisas de pessoas que viam o "Agora Escolha", desde desenhos dos miúdos - alguns que ainda guardo. Tenho fotos do quarto todo forrado, com as caras deles, bilhetes de identidade. Cheguei a fazer um clube de fãs. Era o quarto dele. Quando as pessoas chegavam aqui ficavam um bocado alapardadas. Nesta parede tinha a árvore de Natal, o resto eram presentes de Natal dos miúdos.
O seu marido lidava bem com esta invasão em casa?
Era uma fase em que vivíamos separados. Uns oito, dez anos em que vivi sozinha nesta casa, portanto não havia maridos. O programa invadiu o meu espírito, mais que a minha vida. Das coisas que mais me marcaram, e digo-lhe em primeira mão, porque só falo das coisas com a minha mãe para não dizerem que sou vaidosa, foi um artigo da Inês Pedrosa nos anos 80 que o meu pai mandou emoldurar. Diz coisas maravilhosas. Que fui contratada como apresentadora e no fundo era uma criativa, que fazia serviço público. Preocupava-me com os miúdos, queria saber se estudavam, pedia que mandassem as notas. E paralelamente acompanhei gente e mais gente cá fora, em dramas, casamentos, miúdos problemáticos. Ninguém sabe disso. Ainda hoje nas escolas é assim.
Envolve-se muito?
Vou para o meio de grupos, sento-me no chão, e venho a descobrir problemas. Há miúdos e pais que nunca mais largo. Se pudermos usar o espaço numa televisão para passar algo de bom, fica. Também já dei explicações há uns dez anos e recebia os miúdos com música aos gritos dos Pink Floyd e eles ficavam contentes, tínhamos uma aula divertida e conseguia dar a volta aos cábulas. É neste intercâmbio que conseguimos mudar a vida das pessoas.
E a Vera como aluna, como era?
Tirei o primeiro ano de Histórico-Filosóficas e depois parei completamente porque dá-se o 25 de Abril e vou para Coimbra. Foi complicado. Eu era guia- -intérprete, não conseguia arranjar emprego. Fui estudar para Oxford e andava aí a zunir de moto, mas o meu pai obrigava-nos a desenrascar, queria que tivéssemos tudo mas sabendo que nos podia faltar tudo no dia seguinte, porque também passou por isso na vida. Morre-lhe o pai aos 16 anos e sabia que tinha de dar a volta por cima.
Mas vivia bem.
Vivíamos bem, mas ele achava que tínhamos de lutar. E, no entanto, era um pai extraordinário, que tanto dava rosas à minha mãe como à empregada. Não havia queijo todos os dias à mesa, por exemplo. A uma miúda, há uns tempos, perguntei o que faria se ganhasse o Euromilhões. Comoveu-me muito porque dizia que pagava as dívidas dos pais.
É a Vera que actualiza o blogue sobre a família Roquette?
Não, também lá estou, mas não sou eu. Somos uns mil e tal. Do Esporão ao Hospital da Luz. De três em três anos lá nos encontramos todos; o ramo do Porto, o do Ribatejo. Descendemos todos de um francês que veio para Salvaterra de Magos e que se casa com Catarina de Manique. Até existe uma rua enorme de La Roquette em Paris.
Em miúda o que queria ser?
Tiro melhores notas a Literatura, Psicologia e Filosofia. Tive 19 e dispensaram--me de fazer exames e nessa altura já tinha o curso de guia e queria trabalhar. Na verdade queria ser hospedeira do ar, por isso todos os meus livros têm viagens. Queria conhecer o mundo.
Porque não seguiu?
Nessa altura não havia lentes de contacto, ou eram de vidro, e mesmo hoje com as minhas lentes vejo mal, não podia usar óculos e tive um desgosto de morte. Fui para guia por ser o mais parecido e passei a andar de microfone na mão com estrangeiros, por tudo quanto era sítio.
Como vai ser o seu Verão no Algarve? Está preparada para se juntar ao seu marido no T Clube?
O T Clube vai estar em grande. Sempre fui uma mulher da noite, e do dia, porque gosto de me levantar cedo e adoro praia. Durmo pouco. Sou eu e o Marcelo Rebelo de Sousa. Recebo chamadas às três da manhã e estou acordada; escrevo muito pela noite. Mas às nove já estou de pé. Já vivo na noite há 13 anos e a uma certa altura pensava que não aguentava mais. Vivi muito antes do meu marido, mas somos seres de hábitos. Chego ao Verão, vou ao Algarve, e quando o meu marido está cansado fico eu no T Clube e não saio dali antes das sete da manhã.
E aguenta bem essa pedalada?
Sim, muitas vezes não vale a pena ir antes da uma e meia da manhã. Durmo durante o dia e tenho a sorte de a minha casa ser a cinco minutos de lá. Os empregados às vezes nem esperam que eu vá, apanho alguns que põem a música aos berros, coisa que eu não deixo. De repente, lá estou. Pode haver um dos 30 dias em que não vou, mas lá me ligam: "Ah, Vera, estamos aqui e não conseguimos entrar."
Sai de casa para ir ajudar alguém a entrar numa festa?
A boa da Vera é capaz de se levantar da cama às três da amanhã e lá aparece. Nisso sou muito boémia, como o meu marido. Não temos horas certas para nada, é uma vida cigana.
Não se cansa dessa vida?
Gosto muito desta vida. Tendo os meus princípios, não sou uma pessoa muito certinha. Gosto de viajar, de conhecer pessoas. Para começar, adoro dançar, danço imenso sozinha em casa, com música alta. Mesmo ali no T Clube pensam que as pessoas que lá vão são todas umas fúteis e não são nada. É uma forma de catarse, as pessoas abrem-se mais e eu devo ter um F de freira na testa, porque apanho pessoas no meio da pista com música em altos berros que vêm desabafar comigo. Em miúda queria ser missionária. Deve ser isso, não sendo mãe, acabo por fazer de mãe de todos.
Qual é a melhor memória que guarda do Verão?
Deixe lá ver... tinha 14 anos. Estava em Monte Gordo, no Hotel Vasco da Gama. Praia mesmo à minha frente, água límpida. Nisto sou chamada para fazer um anúncio com uns brasileiros de 30 anos que lá estavam. Agora imagine, eu com 14 anos, senti-me a rainha do universo.
Mas o anúncio passou cá?
Não, era uma equipa estrangeira, qualquer coisa sobre o Algarve, para passar lá fora. Ah, e nessa noite ainda vou ao casino, que na altura não passava de um barracão, e tocava lá um grupo que eu adorava. No dia seguinte de manhã, qual não é o meu espanto quando acordo com uma serenata do grupo à janela do hotel. Serenata, não. Era uma música moderna. Curiosamente reencontrei o vocalista desse grupo há uns anos no Norte. Portanto, não uma, mas duas grandes memórias.
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Artigo: Vera Roquette. "Cheguei a responder a nove mil cartas por mês"
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