Educação
Escolas paradas enquanto ministro não decide o que muda em Setembro
Publicado em 08 de Julho de 2011
Área de Projecto acaba? Estudo Acompanhado é para todos? Escolas têm dúvidas, ministério diz que as novas orientações chegam até ao fim de Julho
É certo que o novo ministro da Educação Nuno Crato tomou posse há pouco mais de duas semanas e mal teve tempo para começar a trabalhar. Acontece, porém, que as direcções escolares estão impacientes - querem planear o próximo ano lectivo, mas estão paralisadas, pois há muitas incertezas que as impede de definir horários, distribuir turmas pelos professores ou avaliar programas que podem vir a ser suspensos. "A única coisa que fiz foi definir quem são os directores de turma", conta Adelino Calado do agrupamento de Carcavelos (Cascais).
Em circunstâncias normais, esta tarefa já estaria concluída ou prestes a terminar. Só que os directores desconhecem se devem seguir as directrizes da anterior ministra, Isabel Alçada, ou esperar por novas ordens do seu sucessor, Nuno Crato.
Muitas dúvidas terão de ser dissipadas", avisa Adalmiro Fonseca da associação nacional de directores. A Área de Projecto vai acabar ou não? O Estudo Acompanhado é para todos os alunos ou só para os que têm dificuldades? A Educação Visual e Tecnológica continua com dois professores ou fica reduzida a um? O tempo que os docentes têm para se dedicarem a projectos extracurriculares vai diminuir? Os professores bibliotecários vão ter de dar aulas a uma turma ou continuam a assegurar em exclusivo a gestão das bibliotecas?
A juntar estas inquietações estão também as recentes declarações de Nuno Crato que manifestou a intensão de mudar a matriz curricular do 3.º ciclo e ainda o fantasma da fusão dos agrupamentos. "Será que são medidas para aplicar em Setembro? Espero bem que não", desabafa Filinto Lima, director do agrupamento de escolas de Vila Nova de Gaia. São demasiadas incertezas e cada um reage à sua maneira. O que para Adalmiro Fonseca é uma "grande angústia", para Teresa Lopes, do agrupamento de São Julião da Barra (Oeiras), é uma "enorme ansiedade, mas há esperança que as novidades surjam em breve". "Até à próxima semana, o ministro tem de dizer o que vai fazer", alerta Filinto Lima, do agrupamento de Vila Nova de Gaia. Será que depois dessa data o arranque do ano lectivo fica comprometido? Não é caso para tanto. Pais e encarregados de educação podem ficar descansados. O prejuízo não é para os alunos, mas para uma minoria de directores e professores.
No pior dos cenários, são as equipas responsáveis pelos horários que ficam sem férias. "Tudo depende de quão rápido o senhor ministro consegue ser. Se publicar um despacho até dia 15, vamos todos de férias no fim do mês e regressamos a 1 de Setembro", diz Adelino Calado. Depois desta data, a única "certeza é que o governo não vai ter férias. Veremos como será para nós".
A resposta do ministério ao i também não tão esclarecedora como gostariam os directores, já que fonte da tutela só consegue garantir que as novas orientações para as escolas deverão chegar "até ao fim deste mês". Por agora não é possível ir mais longe.
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