Epidemia
Unidades de saúde e linhas telefónicas só para a gripe A
por Rute Araújo , Publicado em 16 de Julho de 2009
Ministério da Saúde vai criar serviços só para os casos de gripe quando a epidemia atingir o pico
O Ministério da Saúde vai reforçar o atendimento telefónico para a gripe e criar serviços nos centros de saúde e hospitais apenas para receber doentes infectados. Estas medidas serão concretizadas de forma faseada, consoante as necessidades de cada local e a evolução da epidemia, explicou ontem a ministra Ana Jorge.
Nos planos do governo para o pico da epidemia está o alargamento dos horários de atendimento de centros de saúde, mas apenas no momento em que a pressão sobre os cuidados de saúde for maior. Calcula-se que a epidemia possa atingir 2,5 milhões de portugueses e o pico da gripe A dure entre seis a oito semanas.
A Linha de Saúde 24 - para onde os as pessoas devem ligar, antes de se deslocarem ao médico - já tem registado grandes dificuldades em atender todas as chamadas e será reforçada. A forma como as chamadas são recebidas também vai sofrer alterações. O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, adiantou que "80% dos contactos feitos pelos portugueses são apenas para pedir informação genérica sobre a epidemia". A linha vai passar a responder a este tipo de contactos de forma automática, libertando os profissionais do centro de atendimento telefónico para os casos de doença. O reforço, com centro adicionais, poderá ser feito com enfermeiros das escolas superiores e o Ministério está ainda a estudar a criação de linhas telefónicas locais (coordenadas pelos Agrupamentos de Centros de Saúde), para acompanhar quem ficar doente. "É importante que a pessoa em casa não fique com a sensação de estar sozinha", referiu Ana Jorge.
Uma epidemia "é um problema grave na saúde de um país, porque pode atingir muitas pessoas ao mesmo tempo. Temos que estar preparados", lembrou a ministra, admitindo a sobrecarga esperada para os serviços de saúde. O secretário de Estado disse ainda que o plano de contingência prevê o adiamento de consultas e cirurgias programadas não urgentes para libertar os médicos.
Dos 2,6 milhões de casos esperados, apenas 6% dos portugueses infectados com gripe A vão necessitar de internamento e medicamentos antivirais, repetiu Ana Jorge. Os restantes 94% vão ser tratados em casa com antipiréticos para baixar a febre. "Os serviços estão preparados para responder a todos", garantiu Ana Jorge.
72 já voltaram à normalidade Portugal ultrapassou a marca de uma centena de casos de infecção pelo vírus H1N1. São 107 já confirmados no país e, dos 102 até terça-feira, 72 já voltaram à sua vida normal, afirmou Manuel Pizarro. Permanecem internadas apenas duas pessoas no Hospital de Curry Cabral, em Lisboa.
A ministra da Saúde sublinhou que os portugueses que já foram infectados e já se curaram "estão agora mais saudáveis do que nós". Uma vez infectados, não poderão voltar a contrair a vírus. "Esta gripe já não voltarão a ter e é bom saber que poderemos contar com estas pessoas para cuidarem de nós no caso de adoecermos."
Ana Jorge alertou ainda para o facto de não haver justificação para que as pessoas sejam discriminados quando a gripe passa.
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