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João Loureiro. "O regresso dos Ban vai ser surpreendente" - vídeo

por Tiago Pereira, Publicado em 16 de Julho de 2009   
Depois da despromoção do Boavista e do Apito Dourado, João Loureiro tem novo projecto: um disco com os Ban
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João Loureiro chega de um passeio à beira Tejo, disfarçado com uns óculos escuros descontraídos, de CD na mão e cumprimento afável. Dali a pouco tempo vamos ficar a saber que é um amante "das caminhadas", que cultiva "um humor sarcástico" e que se apresenta ainda como "melómano crónico". Mas o mais importante é que nos confirma notícias e avança pormenores: "Os Ban vão regressar, com um novo disco de originais, cantado em inglês e a editar até ao final do ano." É esta a sua prioridade, agora que vai dizendo que "não está na altura de falar" sobre dirigismo desportivo, preferindo separar assuntos e deixar revelações "para outro momento".

Até há muito pouco tempo tudo isto era segredo. Sabemos agora que os Ban "estão reunidos há cinco anos, por gozo pessoal". E que "há quase dois" que trabalham em estúdio porque "há horizontes a concretizar, que nos escaparam noutros tempos". Entre "Surrealizar" (o primeiro álbum, de 1988, reeditado agora em CD) e "Mundo de Aventuras" (último longa duração, de 1991), os Ban foram da garagem ao sucesso, assumindo influências anglo-saxónicas e conferindo a sua portugalidade a uma "música de dança que não era bem vista no Portugal de então, como se fosse algo menor". Uma mão-cheia de singles certeiros registaram resultados generosos para um grupo que, no entanto, assinou cedo as suas despedidas. "Nada mais havia a conquistar em Portugal. E não queríamos que o nosso trabalho se banalizasse. Além disso faltava-nos cumprir o horizonte internacional." João Loureiro é hoje um homem que projecta mudanças e que as quer ver internacionais, sobretudo porque, graças às "recentes mudanças" na sua vida, tem tempo. E admite: "Muitas pessoas vão ficar surpreendidas porque não associam a minha vida pessoal a algo assim."

"Não vamos repetir-nos" Os Ban nasceram em 1981 "entre colegas de liceu", motivados por um João Loureiro que em terras inglesas se descobriu criativamente com o punk. "Estava em Inglaterra em 1977, um ano privilegiado, e ao ver coisas como os Sham 69 percebi que qualquer pessoa podia ter uma banda." Surgiram os primeiros ensaios, melhor, "sessões de aprendizagem, numa sala de um seminário, emprestada por um padre". Concursos ganhos (como o Rock em Stock/7Up, 1982) e primeiros singles editados, aproveita-se depois o balanço de uma movida nascida no Porto. "Fiz parte do movimento Música Moderna Portuguesa, coisa ligada a estéticas artísticas. Organizámos exposições, performances e os primeiros concertos no Porto dos Sétima Legião, Rádio Macau, Mler Ife Dada ou dos Xutos & Pontapés." A descrição do passado é orgulhosa mas não se projecta um regresso a tempos gloriosos, quando, diz-nos João Loureiro, "os Ban surpreenderam ao adoptar técnicas que escutámos nos pioneiros discos de hip hop, quando usámos os primeiros samples em Portugal, ou mesmo com as primeiras aventuras com caixas de ritmos, ao mesmo tempo que os Heróis do Mar". Estes Ban formato 2009 são João Loureiro, João Ferraz, Rui Fernandes e Paulo Faro, músicos "de sempre" do grupo, que descobriram uma nova voz feminina, Mariana. Querem fazer música "não exclusivamente para Portugal mas para o mundo", lançar uma nova editora "que possa apostar em coisas portuguesas interessantes". E, ainda que reconhecendo o cliché que a frase representa, João Loureiro promete que "este será o melhor disco de sempre dos Ban". Ainda sem título, ainda sem data de edição, mas com confiança bastante para fazer juras em formato pop.

"Experiências boas e más" E o regresso faz-se 15 anos após a última digressão da banda, depois de um hiato artístico para João Loureiro e de experiências paralelas para os restantes músicos. Mas enganamo-nos se julgamos o vocalista (que, assegura, vai "cantar menos, desta vez") pelos projectos que entretanto abraçou. Conta o antigo presidente do Boavista que "se por acaso alguém entrasse no meu carro e descobrisse a música que ouvia, às tantas demitiam-me de dirigente desportivo". Afinal é um melómano preocupado com a sua colecção de discos, "atento ao que se vai passando". Recorda uma passagem recente pela Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, com Vítor Rua e Alexandre Soares em palco (antigos GNR, companheiros de sala de ensaios de outros tempos) e como se sentiu "como um bicho exótico", com toda a gente a olhar para ele e a pensar: "o que é que este tipo está aqui a fazer?" Entre memórias de experiências "boas e más", João Loureiro diz-nos que os tempos dos Ban "foram os melhores" da sua vida.

"No momento certo falarei" Depois de tal confissão, é inevitável questionar João Loureiro sobre "os outros momentos", "os menos positivos". E é quando o homem que ainda encontramos apaixonado pelo futebol e pelo Boavista diz que faz questão de "separar os dois mundos", que o seu passado enquanto dirigente desportivo "não deve ser relacionado com os restantes elementos dos Ban". Não promete respostas, já que chegará o dia em que irá falar sobre "uma série de falsidades que foram insidiosamente lançadas e às quais eu propositadamente não respondi".

Sobre um Boavista despromovido, agora na segunda divisão (terceiro escalão do futebol nacional), diz que o clube "está a atravessar um momento difícil mas superável" e que "mesmo no anonimato" poderá "estar a tentar solucionar os problemas". Não lhe sejam lançadas questões sobre nomes ou pessoas: "O Boavista tem um presidente, uma direcção. Não é pela divisão que o clube vai a algum lado. Por isso, com algum custo pessoal, não respondi a coisas que li a meu respeito. Porque a responder revelaria certas verdades. Por respeito ao momento do Boavista, prefiro não o fazer." Mas uma "coisa simples" garante-nos: "Enquanto fui presidente do Boavista tive sempre solução para todos os problemas." As visitas ao estádio do Bessa são mais raras mas os seus filhos "continuam a acompanhar a equipa". Espera pela resolução dos problemas, com o protagonismo pessoal como coisa de segundo plano e reforçando crenças: "O Boavista vai ter de voltar à primeira liga e ser fortemente indemnizado. O Boavista foi condenado desportivamente por situações que foram arquivadas em instâncias criminais, quer pelo Ministério Público do Porto quer pela equipa da Dr.a Maria José Morgado."

Sobre futebol e casos de justiça mais não diz. Despede-se, com o mesmo cumprimento afável, assegurando que o seu "até à próxima" se faz pela música, tal como este seu regresso.


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