O vice-presidente da bancada parlamentar do BE considerou hoje que o corte de ´rating´ da dívida portuguesa pela agência de notação financeira Moody's confirma que as medidas de austeridade não "acalmam e põem cobro à especulação financeira".
Para João Semedo, "não são as políticas de austeridade nem de recessão económica -- as políticas da troica, deste governo e do anterior governo -- que acalmam e põem cobro à especulação financeira dos mercados e das agências de 'rating', bem pelo contrário".
Em declarações à Agência Lusa, o deputado do Bloco de Esquerda observou que os "especuladores financeiros percebem que a economia de Portugal está cada vez mais frágil" e que "são maiores as dificuldades para cumprir os compromissos do País relativamente à sua dívida pública".
Semedo considera ainda "particularmente significativo de que a especulação financeira não termina com as políticas de austeridade" o anúncio governamental de "um novo imposto de valor equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal", que considerou ser "um brutal agravamento da austeridade".
Para reforçar a sua argumentação, adiantou que "a resposta dos mercados [foi] exatamente a de degradar a nossa notação financeira".
"Ao contrário do que o anterior e este governo têm dito e prometido aos portugueses, o combate à especulação financeira, que degrada a situação económica e financeira dos países mais frágeis como Portugal, exige outro tipo de medidas, não programas de austeridade e recessão que enfraquecem as possibilidades da economia do País aos olhos dos especuladores e dos mercados financeiros", frisou João Semedo.
A opinião é partilhada pelo economista José Reis defendeu hoje que as dívidas soberanas não podem ser geridas pela lógica dos mercados e considerou que o corte no 'rating' financeiro de Portugal foi "um balde de ágia fria para o Governo".
A agência de notação financeira Moody's cortou hoje em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).
"Não me suspreende muito porque este processo é ilógico, irracional e insustentável", disse José Reis à agência Lusa acrescentando que as dívidas soberanas não podem ser geridas de acordo com a lógica das agência de rating.
Para o diretor da faculdade de economia da Universidade de Coimbra, as agências de rating "são insaciáveis porque o que preconizam é pôr mais crise em cima da crise".
O académico considerou que a Moody's ignorou completamente as medidas de austeridade que o novo Governo tomou para fazer face à dívida soberana.
"Espero que o Governo veja que não vale a pena apostar só na austeridade. Tomou uma medida tão violenta, como o imposto extraordinário, e a agência de rating marimbou-se nisso. Foi um balde de água fria para o Governo", disse.




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