João Semedo (BE) diz que medidas de austeridade não travam especulação

por Agência Lusa, Publicado em 05 de Julho de 2011   
Economista José Reis defende que rating da Moody's foi "um balde água fria para o Governo"
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O vice-presidente da bancada parlamentar do BE considerou hoje que o corte de ´rating´ da dívida portuguesa pela agência de notação financeira Moody's confirma que as medidas de austeridade não "acalmam e põem cobro à especulação financeira".

 

Para João Semedo, "não são as políticas de austeridade nem de recessão económica -- as políticas da troica, deste governo e do anterior governo -- que acalmam e põem cobro à especulação financeira dos mercados e das agências de 'rating', bem pelo contrário".

 

Em declarações à Agência Lusa, o deputado do Bloco de Esquerda observou que os "especuladores financeiros percebem que a economia de Portugal está cada vez mais frágil" e que "são maiores as dificuldades para cumprir os compromissos do País relativamente à sua dívida pública".

 

Semedo considera ainda "particularmente significativo de que a especulação financeira não termina com as políticas de austeridade" o anúncio governamental de "um novo imposto de valor equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal", que considerou ser "um brutal agravamento da austeridade".

 

Para reforçar a sua argumentação, adiantou que "a resposta dos mercados [foi] exatamente a de degradar a nossa notação financeira".

 

"Ao contrário do que o anterior e este governo têm dito e prometido aos portugueses, o combate à especulação financeira, que degrada a situação económica e financeira dos países mais frágeis como Portugal, exige outro tipo de medidas, não programas de austeridade e recessão que enfraquecem as possibilidades da economia do País aos olhos dos especuladores e dos mercados financeiros", frisou João Semedo.
 

A opinião é partilhada pelo economista José Reis defendeu hoje que as dívidas soberanas não podem ser geridas pela lógica dos mercados e considerou que o corte no 'rating' financeiro de  Portugal foi "um balde de ágia fria para o Governo".

 

A agência de notação financeira Moody's cortou hoje em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).

 

"Não me suspreende muito porque este processo é ilógico, irracional e insustentável", disse José Reis à agência Lusa acrescentando que as dívidas soberanas não podem ser geridas de acordo com a lógica das agência de rating.

 

Para o diretor da faculdade de economia da Universidade de Coimbra, as agências de rating "são insaciáveis porque o que preconizam é pôr mais crise em cima da crise".

 

O académico considerou que a Moody's ignorou completamente as medidas de austeridade que o novo Governo tomou para fazer face à dívida soberana.

 

"Espero que o Governo veja que não vale a pena apostar só na austeridade. Tomou uma medida tão violenta, como o imposto extraordinário, e a agência de rating marimbou-se nisso. Foi um balde de água fria para o Governo", disse.



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