Novo imposto. Parceiros sociais chocados com nova contribuição. Sindicatos já falam em luta

por Margarida Bon de Sousa, Publicado em 01 de Julho de 2011   
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Os parceiros sociais ficaram chocados com o anúncio de um corte equivalente a 50% do subsídio de Natal este ano, embora por razões diversas. A UGT e a CGTP consideraram inadmissível que se exijam mais sacrifícios aos trabalhadores e estão a ponderar formas de luta para tentar travar a medida, enquanto o patronato receia as suas repercussões nas vendas das empresas portuguesas.

A Confederação do Comércio e Serviços considera que a medida vai pôr ainda mais em causa a sustentabilidade de alguns sectores, como o automóvel, o têxtil e os electrodomésticos, uma vez que a maioria das famílias costuma utilizar parte desta prestação para comprar este tipo de bens. "Há produtos, como os brinquedos, em que o Natal representa 80% das vendas. E o mesmo acontece nalguns produtos alimentares, como os champanhes e as bebidas espirituosas", disse João Vieira Lopes ao i.

Também o presidente da CIP, António Saraiva, mostrou "alguma preocupação" com o imposto extraordinário, sublinhando que os sacrifícios exigidos aos cidadãos e empresas devem ser acompanhados de "resultados concretos". António Saraiva lembrou que o primeiro-ministro lhe disse que "para se cumprir o défice de 5,9% são necessários cerca de 2 mil milhões de euros. "Sendo certo que este imposto extraordinário representa apenas 800 milhões de euros, o que é que falta ainda?", questionou António Saraiva.

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, disse que o programa do governo é de empobrecimento e de injustiças e que o corte de 50% do subsídio de Natal é um "roubo". Já João Proença, da UGT, defendeu que o novo corte é "profundamente injusto, porque vai originar grandes problemas a famílias que estavam a contar com essa verba para pagar dívidas". Proença lembrou ainda que a medida vai abranger centenas de milhares de pensionistas e de famílias que têm rendimentos muito próximos do mínimo.

excepção Já o bastonário da Ordem dos Economistas, Rui Leão Martinho, veio ontem dizer que acredita que o novo governo avaliou de forma "muito consciente" o anúncio da criação de um imposto especial, equivalente a metade do subsídio de Natal acima do salário mínimo. "Havia a convicção de que houvesse outras medidas e penso que o governo, de uma maneira muito consciente, deve ter visto quais as que neste momento poderia adoptar."


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