A UGT defendeu que a criação de um imposto especial, equivalente a metade do subsídio de Natal acima do salário mínimo, é "profundamente injusto", garantindo que a medida vai ser debatida no secretariado nacional, na quinta-feira.
"Estamos claramente contra, porque cortar no subsídio de Natal vai originar grandes problemas a muitas famílias que estavam à espera desse subsídio para pagar dívidas", disse hoje à Lusa o secretário-geral da UGT, João Proença.
Em declarações à Lusa, João Proença realçou que "é bom lembrar que [a medida extraordinária] vai abranger centenas de milhares de pensionistas e de famílias que têm rendimentos muito próximos do rendimento mínimo".
Para o dirigente sindical, “esta medida deixa completamente de fora todos os rendimentos das ações, que normalmente nunca são declarados em sede de IRS porque pagam taxas liberatórias, deixa de fora os lucros das empresas, fica de fora tudo que são rendimentos de capital. Apenas abrange o rendimento do trabalho e dos pensionistas”.
João Proença considerou “inaceitável que se vá sempre buscar dinheiro aos mesmos, aos que vivem do seu trabalho atual ou passado”, acrescentando que “é mais uma injustiça social que vai agravar as desigualdades em Portugal”.
O secretário-geral da UGT garantiu que a central sindical vai analisar a medida anunciada hoje pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no secretariado nacional que se realiza na quinta-feira, dia 04 de julho.
Na abertura do debate na Assembleia da República, Passos Coelho anunciou que o Governo vai adotar, apenas este ano, “uma contribuição especial para o ajustamento orçamental” em sede de IRS equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional.
“Não tomar esta decisão nesta altura era condenar o país à incerteza sobre o resultado ou a necessidade de, à última hora, se terem de encontrar medidas extraordinárias que garantissem o cumprimento do objetivo com que estamos comprometidos”, reforçou o chefe do Governo.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, revelou hoje que o Governo estima conseguir uma receita adicional de cerca de 800 milhões de euros com a contribuição especial que vai aplicar em sede de IRS.




Rating: 0.0
Actividade em ionline