Passos Coelho travou ida de administrador da TVI para o governo
por Filipa Martins, Publicado em 28 de Junho de 2011
O primeiro-ministro não gostou de ver o nome de Bernardo Bairrão divulgado em directo na TVI por Marcelo Rebelo de Sousa
Até ontem de manhã, o ex-administrador da Media Capital Bernardo Bairrão estava dado como certo para secretário de Estado da Administração Interna. E tudo indica que, no dossiê que Passos Coelho levou a Belém pela manhã com a lista dos restantes membros do governo, ainda constava o nome do ex-braço-direito de José Eduardo Moniz na TVI. Ao longo da tarde, a comunicação social apontava Bairrão como uma certeza na pasta tutelada por Miguel Macedo, a par de Filipe Lobo D''Ávila do CDS-PP. Pelo que o i apurou, o convite ao ex-administrador da Media Capital foi feito na segunda-feira da semana passada por Miguel Macedo e Bairrão deu uma resposta positiva na quarta.
O nome foi revelado por Marcelo Rebelo de Sousa, no habitual comentário de domingo na TVI, e ontem de manhã a Media Capital enviou um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a confirmar a saída de Bernardo Bairrão, sem no entanto fazer referência ao cargo que o ex-administrador iria ocupar no governo.
O veto ao nome de Bernardo Bairrão partiu directamente do primeiro-ministro. E apesar de o ex-administrador da TVI ter feito declarações públicas duras contra a privatização da RTP - uma das bandeiras políticas de Passos Coelho - não terá sido essa a principal razão que fez com que o nome tivesse sido afastado. Mais grave, sabe o i, terá sido o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter anunciado em primeira mão e em directo na televisão um dos nomes do novo executivo que nunca tinha sido referido na imprensa.
Bairrão deverá regressar à administração da Media Capital, uma vez que tinha pedido licença sem vencimento para poder assumir um lugar no governo.
Desta forma, o Ministério da Administração Interna terá apenas um secretário de Estado - o deputado do CDS-PP Filipe Lobo D´Ávila -, número que compara com três Secretarias de Estado no executivo anterior. A Protecção Civil, por exemplo, deixou de ter um secretário de Estado próprio na orgânica deste governo.
A lógica de corte não foi tão longe como o previamente anunciado por Passos Coelho: durante a campanha eleitoral o líder do PSD apontou para um tecto de 25 secretários de Estado, quando este governo tem 35 (menos três que o executivo de Sócrates). Mais de metade dos nomes são de independentes, na sua maioria escolhidos pelo PSD, tendo cabido ao CDS-PP definir sete secretários de Estado e uma subsecretária de Estado.
A lista divulgada marca a ida de Daniel Campelo para o executivo, que assumirá a Secretaria de Estado das Florestas. O ex-presidente da Câmara de Ponte de Lima ficou conhecido depois de ter feito uma greve de fome no parlamento, para que fosse devolvida a marca de queijo Limiano ao concelho, após a multinacional Lacto Ibérica ter adquirido a fábrica que produzia este queijo. Campelo foi ainda responsável pela viabilização de dois Orçamentos do Estado socialistas que lhe valeram a suspensão de militante do partido de Paulo Portas.
Ainda para o Ministério de Assunção Cristas, o CDS-PP indicou o independente Diogo Santiago Albuquerque, responsável agora pela pasta da Agricultura.
Miguel Morais Leitão, que será secretário de Estado dos Assuntos Europeus, e Paulo Núncio, dos Assuntos Fiscais, foram outros dois nomes indicados pelo CDS e que já eram conhecidos. O CDS-PP conseguiu ainda a Secretaria de Estado do Turismo, que será liderada pela deputada Cecília Meireles, a Secretaria de Estado do Ensino e da Administração Escolar, assumida por João Casanova de Almeida, e a Subsecretaria de Estado Adjunta do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, com Vânia Dias da Silva, que integrou as listas do CDS pelo círculo eleitoral do Porto, não chegando a ser eleita, completam o contributo dos centristas. Vânia Dias da Silva irá trabalhar directamente com Paulo Portas e será o rosto centrista na coordenação da presidência do Conselho de Ministros.
Na quota do PSD, entrou um consultor de Cavaco Silva. Fernando Leal da Costa será o novo secretário-adjunto do Ministro da Saúde. Este médico hematologista (Instituto Português Oncologia) é consultor para os Assuntos da Política da Saúde na Casa Civil do Presidente da República desde Março de 2006.
À semelhança do que aconteceu nas escolha dos ministros, Passos Coelho também recebeu recusas na segunda linha do governo. Sérgio Silva Monteiro não foi a primeira escolha para secretário de Estado das Obras Públicas e Transportes, sabe o i. O até agora administrador da Caixa Banco de Investimento com o pelouro das parcerias publico privadas (PPP) terá, enquanto membro do governo, de proceder a uma reavaliação das PPP que negociou enquanto esteve na Caixa BI.
Os novos secretários de Estado tomam posse hoje pelo meio-dia.
Com Ana Suspiro, Sónia Cerdeira, Rita Tavares, Manuel Queiroz
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