O líder do Bloco de Esquerda afirmou esta tarde que Portugal vive numa “era de mudança de regime”. No fim da reunião da Mesa Nacional do partido – o órgão mais importante entre convenções – Francisco Louçã comentou a constituição do governo de Passos Coelho.
Sem querer falar directamente sobre os ministros escolhidos, Louçã preferiu realçar o momento que o país vive depois de assinado o acordo com a troika: “A viragem à direita deu aos dois partidos uma maioria confortável. Na verdade Portugal sabe que estamos a viver uma mudança de regime. Estamos a viver na era dos credores”, disse em conferência de imprensa.
O coordenador do BE, que viu o partido sofrer uma derrota nas últimas eleições, com a perda de metade do grupo parlamentar e a perda do antigo líder parlamentar que não conseguiu ser eleito, salientou que nesta altura “o país está mais ameaçado do que nunca” e que a mudança que se sente-se “a partir da formação deste governo”.
Referindo-se ao programa que o governo vai ter de executar, Louçã recordou que quem governa “o país são os delegados da troika que a cada três meses baterão à porta do governo” para “saber se as medidas estão a ser cumpridas”. “O verdadeiro governo português na era dos credores será a troika”, disse lembrando que “as medidas que ameaçam Portugal são as medidas desse memorando. Todas elas por junto significam que Portugal perde valor, dignidade e capacidade de desenvolver a economia”.
Por isso, o BE vai avançar na abertura do Parlamento com uma proposta de auditoria à dívida pública e privada e com um desafio ao PS de assumir claramente a rejeição de uma revisão constitucional.
As posições foram transmitidas aos jornalistas em conferência de imprensa pelo coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, no final da reunião da Mesa Nacional – o órgão máximo partidário entre congressos.
“Defendemos na campanha eleitoral uma proposta de auditoria à dívida e defenderemos essa proposta no primeiro dia dos trabalhos da Assembleia da República”, referiu Louçã, depois de considerar essencial saber-se qual o peso da dívida pública na economia portuguesa e o peso que a dívida privada tem, que é maior do que a pública e que arrasta o país para mais dificuldades”.
De acordo com Francisco Louçã, só com o conhecimento dos resultados dessa auditoria “o país poderá fazer escolhas democráticas, sensatas e razoáveis para cumprir as suas obrigações e para proteger a economia ao nível da criação de emprego”.
Além da exigência da auditoria, também na abertura da legislatura o Bloco de Esquerda avançará com a proposta sobre os critérios para a renegociação da dívida”.
“Não existe qualquer dúvida que a renegociação é necessária, que a Grécia o está a fazer tarde demais e difícil demais. A nossa proposta é que a renegociação, procurando juros mais baixos e prazos mais alargados, determine um montante de acerto de contas que liberte o suficiente dos recursos orçamentais para que haja investimento criador de emprego”, sustentou o líder do Bloco de Esquerda
Francisco Louçã lembrou que no final da reunião da Mesa Nacional, a resolução política foi aprovada por maioria, apenas com cinco votos contra e uma abstenção. Depois das críticas que tem sido alvo, o coordenador do BE recordou que parte dos eleitos das listas minoritárias do partido, que elegem 17 deputados na Mesa, concordaram com a orientação política decidida.




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