Economia. Álvaro Santos Pereira defende diminuição de 15 % na taxa social única
Publicado em 18 de Junho de 2011
A dar aulas no Canadá, Santos Pereira defende a subida do IVA como forma de contrair o consumo interno
Se Eduardo Catroga defendia uma redução até 8% na taxa social única ao longo de quatro anos, Álvaro Santos Pereira, que vai assumir a superpasta da Economia (que reúne Emprego, Transportes, Obras Públicas e Telecomunicações), corta a direito: menos 15 pontos percentuais nas contribuições do patronato para a Segurança Social e subida do IVA como forma de contrair o consumo interno e fomentar as exportações.
A personalidade escolhida por Pedro Passos Coelho para esta pasta acaba por ter tudo a ver com o que a troika quer fazer em Portugal. É muito crítico relativamente à falta de concorrência que ainda subsiste no país, aposta nos bens não transaccionáveis com valor acrescentado e no aumento das exportações, pelo que tem o perfil adequado para responder ao imenso desafio estrutural que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional colocaram como contrapartida ao empréstimo para nos salvar da bancarrota.
É também um economista típico da direita liberal, ainda que a sua capacidade política seja uma incógnita, sobretudo no que diz respeito à forma como vai ter de fazer frente aos fortíssimos lóbis para conseguir "inverter a política incompetente que tivemos nos últimos anos", como disse recentemente numa entrevista à Etv.
Tal como o seu homólogo das Finanças, Álvaro Santos Pereira está fora do dia-a-dia de Portugal desde há uns tempos, sendo professor em Vancouver, no Canadá. O que pode constituir uma vantagem, já que consegue olhar para o país de fora para dentro e sem vícios. A escolha dos seus secretários de Estado vai ser determinante para se perceber se serão mais técnicos ou mais políticos.
É um adepto da blogosfera, tendo uma página própria, onde analisa temas que vão da política à economia. Vê o crescimento da produtividade como um imperativo nacional, uma vez que o aumento das exportações do país depende essencialmente da evolução da produtividade.
Outra área complexa é a do trabalho, que passa para a Economia, embora o acordo tripartido conseguido entre os parceiros sociais e o anterior governo constitua uma boa base de partida para uma negociação alargada.
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