Nuno Crato é o novo ministro da Educação e a Fenprof já reagiu a esta nomeação.
Em declarações ao i, Mário Nogueira refere que “o ministro vai estar sujeito a um programa, o programa da troika, seja ele qual for”. No entanto, confessa que o nome escolhido não corresponde “às expectativas mais elevadas” dos representantes dos professores.
“Foi uma pessoa que em determinados momentos teve afirmações que nos preocuparam, em relação ao método de selecção dos professores, à avaliação e à relação público-privado. Não é um nome que nos descanse”, afirma Mário Nogueira.
No entanto, o dirigente sindical adverte que mais importante que os nomes são as políticas, mas lembra que, no passado, “muitas vezes o estilo” constituiu um entrave às negociações. “Vamos ver se isso não acontece com este ministro”, acrescentou.
As prioridades da Fenprof para discussão com o novo executivo no imediato mantêm-se “a avaliação e a desburocratização das tarefas do professor”. Propostas que constavam no programa eleitoral do PSD e que os sindicatos querem ver cumpridas.
Esta tarde, horas antes de ser conhecido o nome para a pasta da Educação, Mário Nogueira falava aos jornalistas em conferência de imprensa sobre a visão e as expectativas da Fenprof face aos resultados das eleições do passado dia 5 de Junho.
Na conferência de imprensa, o secretário-geral da Fenprof sublinhou a necessidade de pedir uma reunião ao novo ministro já “no dia 22 ou 24, com carácter de urgência, uma vez que há matérias com incidência já no próximo ano lectivo”.
A Fenprof espera que a questão da avaliação deste biénio seja resolvida “antes de se fazerem valer os seus efeitos, que já não têm impactos na progressão das carreiras porque estão congeladas, mas têm nos concursos”, referiu.
Mário Nogueira quer saber também “em que se vai traduzir” a desburocratização das tarefas dos professores, indicada no programa do PSD, ao mesmo tempo que avisa que para a Fenprof essa medida terá de passar pelos “horários de trabalho dos professores” e pela “organização do próprio ano lectivo”.
Já outras propostas avançadas pelos sociais-democratas, como a profissionalização da gestão, contratualização de modelos de gestão, “eventualmente privados”, diz, como o modelo de recrutamento de professores, a continuação dos mega-agrupamentos ou do regime de fundações, no ensino superior, merecem as críticas da Fenprof e a promessa de “uma postura ofensiva”, afirma o dirigente. “Vamos ter uma postura ofensiva. Mas também vamos ser proponentes”, refere Mário Nogueira.
A Fenprof pretende avançar com uma série de reuniões e acções já durante o mês de Julho. Prevista está a preparação de um memorando sobre educação e reuniões, em todo o país, com dois segmentos, em particular, os professores aposentados e os contratados.
Se no caso dos primeiros está em cima da mesa o corte das pensões, que nas reformas antecipadas sofrerá um agravamento acrescido com o acordo da troika, no que se refere aos contratados, Mário Nogueira afirma serem cerca de 36 mil, o que os coloca, diz, acima da média do país e os torna o “grupo de maior risco”, na classe docente.
A este respeito, o dirigente sindical denunciou que os professores contratados que estavam a ser dispensados “não recebiam a compensação por caducidade” e que a situação foi denunciada em tribunal, tendo este dado razão à queixa da Fenprof.
Os representantes dos professores prometem continuar a agir judicialmente, em “tudo o que for inconstitucional”, avisa Mário Nogueira.




Rating: 0.0
Actividade em ionline