Música

Este é o novo mapa de Portugal, cantado e com tradição

Publicado em 14 de Julho de 2009   
Hoje, na LX Factory, a apresentação dos segredos da musicalidade portuguesa, de região em região e com a interactividade da era digital
Opções
a- / a+
O novo mapa de Portugal canta-se, de acordo com o que cada região dita como tradição. É seguir "por este rio acima" e desvendar segredos mal guardados mas "nem sempre revelados". Júlio Pereira editou "Miradouro" em 1988 e juntou-lhe um brinde em forma de mapa, que viajava pela tradição musical portuguesa. Vinte anos depois é ver o projecto com vida digital e a querer chegar a todas as salas de aula de Portugal.

O Mapa Etno-Musical de Portugal é apresentado hoje na livraria Ler Devagar, na LX Factory (Lisboa), onde também decorre o festival de World Music (até 19 de Julho, programação completa em lxfactory.com). A partir das 20h00, Júlio Pereira explica os porquês desta criação. Vamos ficar a saber que "este mapa é uma homenagem aos dois homens que mais estudaram a música do nosso país, Ernesto Veiga de Oliveira e Michel Giacometti". O conceito é tão simples como "explicar quem são as personagens e quais os instrumentos típicos da musicalidade de cada uma das regiões de Portugal". E que tudo isto quer ser "matéria acessível para todos, com exactidão histórica mas sem complexidades desnecessárias".

Para já, é passar pelo site do músico (www.juliopereira.pt) e perceber como a musicalidade de um Portugal tradicional é ilustrada pelas graças das novas tecnologias. Cada região do país (do Minho ao Algarve, passando pelas ilhas) está devidamente assinalada, com as personagens vestidas a rigor, instrumentos a jeito e bailarico ensaiado - se for caso disso. A legenda explica de onde vêm as tradições, quem as cumpre e porquê. E o suporte - a internet - é o mesmo que por estes dias guardas as culpas das "contaminações musicadas" que se vão escutando. "O que sabemos, sabemo-lo pela net: quem canta e toca o quê, quem na verdade recupera instrumentos e alimenta as tradições."

Júlio Pereira, homem que dos Petrus Castrus e dos Xarhanga se fez referência para lá do rock, que agora alimenta o seu My-Space com afinco, fala, apaixonado, de uma obrigação em "saber o que ficou para trás" para o voltar a escrever "no futuro, seja como for". Este mapa está recheado de pedaços de sons, recolhas de outros tempos e de discografias amigas. "Escuta-se o cante alentejano ou o fado de Coimbra" para que, diz-nos Júlio Pereira, saibamos "associar a cada canção a sua raiz, geográfica, demográfica ou social".

Destas tradições, um Portugal pequeno em tamanho pode sempre esconder surpresas. Sabemos que este mapa terá, em breve, novas entradas, como a "sanfona, que em Coimbra está a ser recuperada pelo Fernando Meireles". E outras, se escutadas, terão aqui lugar garantido.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close