Passos Coelho já tem governo quase pronto. E já houve algumas negas
por Margarida Bon de Sousa e Filipa Martins, Publicado em 17 de Junho de 2011
Passos e Portas já receberam algumas negas. A dificuldades de governar com a crise e salários baixos são os principais motivos
Eduardo Catroga deverá ser o próximo titular da pasta do superministério da Economia, que vai agregar Obras Públicas, Transportes, Telecomunicações e Emprego, apurou o i. A ideia desta fusão é reunir sob a mesma responsabilidade as diferentes áreas produtivas. Aquele que foi o enviado do PSD às negociações com a troika e coordenou o programa eleitoral laranja não voltará assim à pasta das Finanças, que ocupou há 16 anos no governo de Cavaco Silva. O independente Vítor Bento tem sido apontado para aquele cargo e ontem, sabe o i, o presidente da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS) esteve reunido durante mais de quatro horas com o conselho de administração da SIBS. Uma despedida? O economista também é visto como um óptimo nome para substituir Carlos Costa na liderança do Banco de Portugal, caso o governador seja chamado ao executivo.
Já o conselheiro económico do PSD Carlos Moedas tem presença certa no próximo elenco governativo, embora com o handicap de nunca ter exercido funções governativas.
O nome do líder do CDS-PP está seguro no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mesmo que a orgânica do governo não contemple o cargo de vice-primeiro-ministro, é ponto assente que o seu poder vai ser grande dentro do futuro governo.
O líder da bancada laranja, Miguel Macedo, já terá dado o OK para acumular a pasta dos Assuntos Parlamentares com a da presidência do Conselho de Ministros. Assunção Esteves, que chegou a ser falada para os Assuntos Parlamentares, fica assim fora da corrida. Quanto a Miguel Relvas terá como principal trabalho calar as vozes internas do PSD para que Pedro Passos Coelho não tenha de enfrentar os ataques internos que matraquearam toda a governação de Santana Lopes -uma tarefa para a qual se mostrou capaz, pelo menos nas duas últimas semanas, quando foi praticamente impossível quebrar o silêncio que se instalou durante as negociações entre o PSD e o CDS-PP.
O presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, é um dos nomes apontados para a Justiça, embora haja quem duvide que esta venha a ser a escolha final. Para a pasta tem sido falada a vice--presidente do PSD Paula Teixeira da Cruz.
Ministérios O acordado entre PSD e CDS-PP pode variar entre os 11 e os 12 ministérios. Educação e Ensino Superior, Agricultura e Pescas, Economia (do qual farão parte as áreas dos transportes, das telecomunicações, das obras públicas e do emprego), Finanças, Presidência e Assuntos Parlamentares, Saúde, Segurança Social, Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, Justiça separada da Administração Interna, Negócios Estrangeiros, e por fim Defesa constituem uma orgânica provável para o próximo executivo.
Passos Coelho foi ontem taxativo: o anúncio público do elenco governativo só será anunciado depois de o Presidente da República ter conhecimento e deverá acontecer nos próximos dias. O início da próxima semana foi apontado ao i como a altura mais provável.
Negas de hoje e de ontem Segundo fontes contactadas pelo i, mais que a questão dos vencimentos, é a situação geral em que o país se encontra que está a dificultar a aceitação dos cargos por parte de algumas das primeiras escolhas: há uma série de personalidades que não se querem expor publicamente neste momento.
"Há a convicção de que quem vá para o governo vai sofrer um grande desgaste porque se percebe de antemão que vai haver um grande período de dificuldade de governação", explicou um ex-secretário de Estado ao i.
Outra das razões para as negas prende-se com os salários praticados no governo. Teixeira dos Santos, por exemplo, ao deixar a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para assumir o Ministério das Finanças viu reduzida a sua remuneração mensal, que ascendia a 16 mil euros, para cerca de 4500 euros.
Entre as recusas está a de Isabel Vaz, da Espírito Santo Saúde, que não quis a pasta da Saúde por considerar que numa altura tão complexa não seria viável uma responsável de um grande grupo do sector assumir a tutela de uma das áreas onde vai ser preciso cortar a eito. Sevinate Pinto, que chegou a ser abordado por Paulo Portas esta semana para a Agricultura, também mostrou fortes reservas em aceitar. O deputado Nuno Magalhães, uma das estrelas de Portas para a área da segurança, disse não às primeiras abordagens. Já a recusa de Lopo Xavier, outro nome avançado como provável futuro ministro, deveu-se a razões que se prendem com a sua vida profissional e, evidentemente, com a diminuição de proveitos que a ida para o governo implica.
Segundo a opinião generalizada, muitos dos potenciais futuros ministros têm já um rendimento acumulado que lhes possibilita prestar um serviço de causa pública e as medidas duras que vão ter de ser aplicadas.
No governo de Durão Barroso as escolhas finais nem sempre corresponderam ao que o ex-primeiro ministro e agora presidente da Comissão Europeia desejava. Foi o caso de Miguel Cadilhe, que acabou por ser substituído por Manuela Ferreira Leite nas Finanças. Um ex-secretário de Estado do governo Santana Lopes confessou ao i que ainda hoje está a recuperar das perdas financeiras por ter assumido um cargo naquele governo.
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