CEJ. Copianço chegou ao Supremo Tribunal de Justiça

por Adriana Vale, Publicado em 17 de Junho de 2011   
Directora do Centro de Estudos Judiciários, Ana Luísa Geraldes, pediu uma audiência ao presidente do STJ, Noronha Nascimento
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A polémica sobre o copianço num exame no Centro de Estudos Judiciários (CEJ), instituição que tem a cargo a formação de futuros juízes e magistrados do Ministério Público, levou Ana Luísa Geraldes, a directora, a pedir ontem uma audiência a Noronha Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça. O caso abalou o prestígio da instituição que tem conhecido tempos difíceis desde que o último governo decidiu não abrir novos cursos para no próximo ano lectivo, sem qualquer aviso prévio.

Para Manuel Ramos Soares, o secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) o facto de se fazer passar todos os futuros magistrados judiciais e procuradores "por desonestos e malandros é manifestamente exagerado". Em primeiro lugar, afirma, deve haver qualquer coisa que possa explicar, porque razão é que durante um ano não houve qualquer problema e, de repente, começaram todos a copiar. A resposta pode ficar a dever-se ao facto de ter sido um teste a que os auditores de Justiça não tenham dado muita importância. Por outro lado, os auditores de justiça "devem cumprir a regras de ética e da deontologia desde o início e, se há dúvida em relação a qualquer situação, esta deve ser esclarecida pelo CEJ. Quanto à decisão da direcção da instituição, o juiz acredita que "ao atribuir a nota 10 a todos, anulou-se o efeito classificativo desta nota, cujo peso curricular se traduz em apenas 2%".

Por outro lado, há ainda a censura pública, que já foi grande, e todos terão recebido o necessário puxão de orelhas.

Defesa Em sua defesa, um dos auditores envolvidos neste caso disse ao representante da ASJP que estavam todos "completamente à vontade com este teste, era de escolha múltipla e houve alguns alunos que começaram a conversar uns com os outros." Não haveria vigilância. Ou seja, "havendo ou não vigilância o silêncio ou a ausência de acompanhamento da prova pode ter dado sinal de que este comportamento era permitido, conclui o magistrado.

O Sindicato dos magistrados do Ministério Público (SMMP) por sua vez, divulgou ontem, em comunicado, que "está empenhado na dignificação das magistraturas e da Justiça e considera que a conduta dos magistrados tem de ser exemplar e compatível com as exigências éticas e deontológicas inerentes às suas funções". O sindicato defende "o reforço dos critérios e níveis de exigência no recrutamento e formação de magistrados, ambos da responsabilidade do Centro de Estudos Judiciários."

Sem esquecer o momento difícil que a instituição atravessa, os magistrados do MP lembram que "é com profunda apreensão" que têm assistido "à desagregação de uma instituição com o passado honroso e as responsabilidades do CEJ, consequência da política irresponsável e errante do governo em funções, que não poupou" esta escola de magistrados.

Este lamentável episódio enquadra-se "nesse contexto de dúvida quanto ao futuro do Centro de Estudos Judiciários e de aposta na descredibilização do actual modelo de formação, muito conveniente a algumas entidades, impondo uma tomada de posição pública inadiável por parte da direcção daquela instituição". A organização sindical que representa os procuradores diz ainda que "recaindo as suspeitas de anomalias apenas sobre um número muito circunscrito do universo de auditores, a atribuição a todos da nota 10 mancha injustificadamente a honra de todos, prejudica os melhores e premeia os casos, que constituem excepção, de prevaricadores, algo incompatível com a pedagogia de qualquer escola, mormente de uma escola de formação de magistrados". Pior, acrescenta, "a solução encontrada é incompatível com os níveis de exigência e de responsabilidade que têm que presidir ao recrutamento e formação de magistrados, importando-se encontrar outra".

Segundo a Lusa, o conselho pedagógico do Centro de Estudos Judiciários irá reunir na próxima semana e terá a ultima palavra sobre a decisão tomada pela direcção de atribuir nota 10 aos 137 auditores de justiça que foram apanhados a copiar no teste de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito. Esta reunião terá sido confirmada por Bravo Serra, vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura, depois de uma conversa com Ana Luísa Geraldes, a directora da instituição. "O CEJ decidiu fazer uma averiguação rigorosa de toda a situação, porque desconhece-se ainda de que forma é que os alunos copiaram, se dentro ou fora da sala de aula", disse à Lusa Bravo Serra, que considera o episódio "lamentável". Segundo o "Público", Bravo Serra defendeu a realização de nova prova.


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