O "FMI" de B Fachada

por António Pires, Publicado em 16 de Junho de 2011   
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Nunca mais haverá um "FMI" de José Mário Branco - e, caso exista, será sempre assinado por José Mário Branco, tal como já o é o seu tema mais recente "Mudar de Vida". Mas num tempo em que voltou a fazer todo o sentido haver uma nova vaga - chamar-lhe movimento é ainda permaturo (e se calhar assim irá continuar) - da canção de protesto em Portugal, para além do hip-hop, aquilo que mais se aproxima desse emblemático grito de revolta, desânimo, tristeza mas também de inteligente ironia, de José Mário Branco é a nova canção de B Fachada, "Deus, Pátria e Família". Um longo tema de vinte minutos que começa com o som de vozes de animais domésticos - como se Portugal fosse apenas uma imensa extensão virtual do famigerado Farmville - e com um ritmo tropical demasiado alegre para as palavras que aqui são (desen)cantadas - como se Portugal fosse uma imensa República das Bananas. Não creio que nas suas recentes letras mais interventivas os Deolinda, Dias de Raiva e muito menos as dos Homens da Luta ou as dos temas rock minimal-repetitivo de Vítor Rua (!) tivessem como modelo o "FMI", mas "Deus, Pátria e Família" segue-o, sem dúvida, como modelo lírico. E se no primeiro José Mário Branco dizia "o futuro que se foda", B Fachada canta no segundo "que se foda Portugal". Estão os dois a dizer o mesmo, com um a fazer futurologia certeira e o outro a confirmar. Chegam flores do estrangeiro...

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