Educação
Professor demitido por deslealdade chega a director de escola
por Kátia Catulo, Publicado em 15 de Junho de 2011
Afastado da Direcção Regional de Educação por contestar o modelo de avaliação, Ernesto Paiva é o novo director da Secundária Infanta D. Maria
A vida tem muitas ironias e o professor Ernesto Paiva foi apanhado numa delas. Em Abril foi demitido da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC). Subscreveu uma posição pública dos docentes da Secundária Infanta D. Maria, onde dá aulas de História. O protesto contra o actual modelo de avaliação valeu-lhe a destituição do cargo de coordenador da equipa de apoio às escolas de Coimbra por quebra de lealdade perante as políticas do Ministério de Educação. E agora foi eleito director da mesma escola.
A ironia continua a intrometer-se no percurso de Ernesto Paiva. A partir do próximo ciclo lectivo, em vez de ser avaliado pelos docentes da sua escola, vai ter como sua avaliadora a directora-geral da DREC, que a manter-se no cargo após o novo governo, será Helena Libório. A mesma que o demitiu. A mesma que, por considerar que exercia um cargo de "nomeação" e de "confiança", decidiu retirar-lhe as funções que exercia há 15 anos.
"Nada a temer", assegura Ernesto Paiva, que aguarda a homologação da DREC para tomar posse como o novo director da Secundária Infanta D. Maria: "Tenho consciência do meu empenho e dedicação. O que me preocupa nem é o sistema de avaliação, mas o juízo que as pessoas para as quais trabalho fazem do meu desempenho."
Ernesto Paiva tem novas funções, mas terá de continuar a lidar com os técnicos da Direcção Regional de Educação, agora enquanto director de uma escola. Não é problema para quem "desenvolveu uma grande relação afectiva" com os ex-colegas e ainda por cima lhes reconhece mérito: "Não tenho qualquer dúvida que a colaboração será total."
Só não volta atrás na posição que tomou contra o modelo de avaliação. "É complexo, burocrático e, em vez de motivar os funcionários a melhorar o seu desempenho, cria desencanto", critica o professor que agora tem esperança que o novo governo faça algumas mudanças no actual sistema.
Nova etapa. As polémicas ficaram no passado e para iniciar a nova etapa só falta mesmo tomar posse: "Espero que seja em breve, porque há muito trabalho e muitas decisões a tomar." Uma das tarefas será mostrar que os resultados que costumam colocar a Infanta D. Maria entre as primeiras no ranking dos exames nacionais, não se devem apenas aos recursos dos "alunos de classe média e média alta, mas também às boas práticas da escola".
Para quem pensa que a demissão da DREC o impeliu a candidatar-se à direcção da escola de Coimbra, o erro não podia ser maior, assegura o professor de História: "Estava cheio de vontade de regressar às origens e voltar a trabalhar com alunos, professores e encarregados de educação."
Dirigir uma escola não é uma novidade para Ernesto Paiva. Assumiu as mesmas funções na Secundária de Anadia, na década de 1980, e ainda no conselho executivo da Secundária de Soure, até ser convidado a integrar a equipa da DREC: "Liderar uma escola era algo que queria fazer e coincidiu com a minha demissão."
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