Insegurança
Algarve. Agora que o turismo começa a subir é que a polícia não pode faltar
Publicado em 14 de Junho de 2011
Autarcas e empresários criticam "reforço episódico" num momento em que é preciso investir na região para responder à crise
Em tempos de crise pedir mais recursos pode ter poucos ou nenhuns resultados. Mesmo assim os autarcas e os empresários do Algarve insistem. Querem mais polícias e o reforço de 100 elementos anunciados para esta época balnear não chega. A insegurança não se resolve com "reforços episódicos", avisa o dirigente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Macário Correia. Muito menos com "remendos", defende o autarca de Albufeira, Desidério Silva.
Mais do que destacar todos os anos polícias a "conta-gotas" para os Verões quentes do Algarve, será preciso "pensar numa estratégia a médio e curto prazo" para a grande potência turística do país, alerta Desidério Silva. Em causa está a imagem da região lá fora, adverte o autarca. E em jogo está igualmente um sector que "melhor poderá responder à crise financeira", diz Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve.
A insegurança no Algarve é como um sinal intermitente, que se acende de cada vez que há um barricado armado num prédio de Quarteira ou um turista agredido e assaltado em Albufeira. São "casos pontuais", insistem os autarcas e empresários, mas no Algarve ganham outra dimensão, defende Desidério Silva. A batalha dos empresários algarvios não será tanto contra os criminosos, que "representam o mesmo" do que em outras regiões, mas dos "interesses ocultos" que tanto autarcas como operadores dizem sofrer na pele: "O que acontece no Algarve tem sempre um impacto muito grande por ser um destino competitivo e os agentes turísticos fazem-se valer destes episódios para desviar os mercados turísticos."
Ponto de viragem Segurança é a vantagem competitiva numa região, que tendo vindo a perder terreno para as férias low cost em destinos tropicais, está agora a recuperar a sua posição no mercado internacional, conta Elidérico Viegas: "Este ano esperamos uma subida de 5% a 6% nas taxas de ocupação hoteleira face a 2010." É o benefício que a região retirou da instabilidade política no Norte de África, com as revoluções na Tunísia ou no Egipto, mas é também o "ponto de viragem" para inverter a queda no turismo algarvio", adverte o dirigente da associação de hotéis do Algarve.
Ponto de viragem implica portanto novas políticas, que passam pelo "policiamento de proximidade visível" e não por "reforços insignificantes", censura Macário Correia. Duas equipas do Corpo de Intervenção da PSP, agentes da Escola Segura e investigação criminal e ainda militares da Manutenção da Ordem Pública e da Unidade Segurança e Honras de Estado estão destacados para garantir a segurança nas ruas e praias algarvias durante esta época balnear. São 100 elementos no total, mas no terreno significam "quase nada", adverte o dirigente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, Macário Correia.
Não é o momento para "grandes exigências", reconhece o presidente da Câmara de Faro, mas o certo é que mais uma centena de polícias acrescenta pouco à segurança de quem vive ou goza férias no Algarve. Para quem duvida, Macário Correia fez as contas. "Os 100 polícias não vão estar ao serviço 24 horas por dia, sete dias por semana." Feriados, fins-de-semana e folgas dos agentes implicam que, do total, só 15 a 20 efectivos estejam em permanência a vigiar as ruas: "Isso representa um a dois elementos para cada um dos 16 concelhos", conclui o responsável da AMAL.
De nada vale pedir a este governo o que quer que seja, pois está de saída, por isso, o presidente da Câmara de Faro prefere pressionar o próximo que se prepara para assumir funções: "Estou confiante que, pese embora as dificuldades relacionadas com a crise e com a admissão de pessoas na função pública, admito que possa haver um reforço maior."
Verão algarvio Os números justificam, diz Macário Correia. A população do Algarve triplica no Verão, passando de 400 mil habitantes para perto 1,5 milhões de pessoas. O policiamento, por seu turno, não corresponde à evolução demográfica sazonal, explica o autarca. Actualmente prestam serviço 2090 elementos (1224 da GNR e 866 da PSP) no distrito de Faro. Em Albufeira são 172 militares da GNR.
Polícia não é tudo o que querem os algarvios e haverá outros métodos a ter em conta, defende o presidente da Associação de Comércio e Serviços da Região do Algarve. "A videovigilância continua pendente por questões legais e de protecção de dados, mas torna-se cada vez mais necessária para resolver esta questão da insegurança, ajudando a evitar crimes e servindo como factor dissuasor", diz João Rosado. São queixas e recados para o próximo governo dos comerciantes, empresários e dos autarcas que no próximo ano alimentam a esperança de não ter criticar mais um reforço policial a "conta-gotas", remata o autarca de Albufeira.
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