Banco Central Europeu pede a países em crise que reformem rápido

por Margarida Bon de Sousa, Publicado em 11 de Junho de 2011   
Director do Fundo Europeu de Estabilidade alertou que paciência dos europeus para pagar resgates está a esgotar-se
Opções
a- / a+
Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, alertou ontem para a necessidade dos países da zona euro aprofundarem as suas reformas estruturais nos próximos três anos, sob pena de perderem a carroça do crescimento económico após o fim da crise financeira - que ainda ninguém sabe quando será.

O líder do BCE defendeu ontem esta posição na conferência "O Banco Central Europeu e os seus observadores", tendo afirmado que a diversidade económica da zona euro traduz o facto de as novas medidas adoptadas em alguns países para lidar com a crise da dívida soberana não terem ido suficientemente longe para resolver os problemas estruturais. "Os países que continuam a ter de implementar reformas estruturais têm perspectivas de crescer pouco, mesmo depois da crise", disse o ainda presidente do Banco Central Europeu, cujo mandato termina em Outubro próximo.

Trichet acrescentou ainda que aqueles que questionam a viabilidade da zona euro, por a olharem como uma simples área com uma moeda única num contexto de heterogeneidade económica, estão enganados.

Já o vice-presidente do BCE, o português Vítor Constâncio, que participou no mesma conferencia, também apontou baterias à crise da zona euro, defendendo que o programa grego de austeridade é difícil mas exequível, e que a resolução da crise da divida soberana não compete ao BCE. "O problema não está em nós", disse. "Em primeira instância devia ser uma preocupação das Finanças e dos governos, não do Banco Central Europeu", já que não foi este que pediu a intervenção do sector privado na resolução do reescalonamento da dívida grega.

"Pode ser que no final os programas falhem", acrescentou Constâncio, "mas essa não é a situação que temos agora. Estamos a renegociar com a Grécia. Os mercados nem sempre estão certos", acrescentou.

No mesmo encontro foi salientado que as previsões recentes indicam que a zona euro como um todo está no caminho certo para chegar abaixo do valor de referência de 3% de défice em 2013, tal como previsto, o que colocará um fim - esperam - às ondas de choque da crise da dívida soberana.

Os países da zona euro têm como objectivo principal chegar a défices de 3% em 2013 e trabalhar para encontrarem um equilíbrio, mas quase todos deverão entretanto ultrapassar o nível de despesa pública aconselhável. Grécia, Irlanda e Portugal ainda estão a trabalhar para reduzir os défices, enquanto a Alemanha aprovou legislação para o eliminar em 2016.

Fadiga No mesmo dia em que o Banco Central Europeu lançou alertas aos países que estão a tentar controlar o défice e diminuir a dívida pública, o director do Fundo Europeu de Estabilização Financeira considerou que a assistência financeira a outros países da zona euro é "altamente impopular".

Para Klaus Regling, estamos a assistir a sinais de fadiga na tolerância ao financiamento de países, não só na Alemanha mas também na Holanda e Finlândia

A assistência financeira a outros países da zona euro é "altamente impopular", afirmou o mesmo responsável citado pela agência Bloomberg. O director do FEEF sublinhou ainda que os programas de ajustamento na Irlanda, Portugal e Grécia têm de ser "completamente implementados". Com Lusa


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close