"O Estado já perdeu 450 milhões no BPP"

Publicado em 13 de Julho de 2009   
Jaime Antunes, accionista da Privado Holding, garante que o BPP não tem como pagar o aval
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O Estado pode já dar como certo que vai perder os 450 milhões de euros que avalizou ao Banco Privado Português (BPP). A convicção é de Jaime Antunes, accionista da Privado Holding (PH) e líder de uma das associações que representa clientes do BPP.

"Na prática, o Estado ofereceu o dinheiro ao banco" apontou o responsável ao i. Este valor chegou ao BPP em Dezembro para evitar a falência e foi emprestado por um consórcio de seis bancos - CGD, BCP, Santander, BES, BPI e Crédito Agrícola -, que só aceitaram ceder os 450 milhões com o aval do Estado.

"O BPP não vai pagar esse dinheiro, não consegue, e as contragarantias que deu ao Estado não são líquidas, logo para recuperar o dinheiro o Estado vai precisar de um período demasiado longo", explica Jaime Antunes. As garantias dadas pelo BPP consistiram na carteira de créditos e em activos imobiliários e não só, que o Banco de Portugal avaliou em 672 milhões de euros, mas que não foram suficientes para que os bancos que apoiaram o BPP tenham avançado sem a contragarantia do Estado. "Há estudos que mostram que fica mais barato para o Estado viabilizar o banco do que deixá-lo cair", salientou Jaime Antunes, referindo- -se a um documento elaborado pela PH.

Na sexta-feira passada o governo, em comunicado, veio sublinhar que não existe "interesse público relevante que justifique o envolvimento adicional de quaisquer dinheiros públicos no BPP, independentemente da forma e condições que pudesse assumir", isto depois de ter sido noticiado que os 450 milhões do empréstimo poderiam ser convertidos em acções do banco detidas pelo Estado.

A proposta da Orey, que acordou comprar o BPP por um euro, está a ser analisada pelo Banco de Portugal, cuja posição é vinculativa, não existindo data para que o supervisor se pronuncie. Para Jaime Antunes, a proposta da Orey é um mal menor para os clientes, já que se compromete a saldar contas com estes em cinco anos. Filipe Paiva Cardoso


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