Mário Soares: "Conspirei activamente com D. António Ribeiro em 1975" - vídeo

por Ana Sá Lopes, Publicado em 10 de Junho de 2011   
Ex-Presidente da República diz que a cura da oposição "era indispensável" ao PS nesta altura
Opções
a- / a+
Estreia esta noite no Canal Q o Qi - um programa novo, feito em parceria entre o Q e o i. O convidado da primeira edição do Qi é Mário Soares, o ex-Presidente da República, ex-primeiro-ministro várias vezes e secretário-geral do PS desde a fundação.

Na entrevista, que pode ser vista esta noite a partir das 21h15 e lida na edição de sábado do i, Mário Soares revela que "conspirou activamente" com D. António Ribeiro, então cardeal-patriarca de Lisboa, em 1975. Revela Mário Soares, que "todos os párocos disseram nas igrejas" que seriam bom que todos os católicos se juntassem à grande manifestação da Fonte Luminosa contra o PCP. Sem a cooperação da Igreja, "nós não teríamos conseguido aquela manifestação que derrubou, no fundo, o caminho para onde se estava a dirigir o país".

Sobre o momento que o país vive, Mário Soares considera que "era indispensável" uma cura de oposição ao PS. "Na situação a que se chegou, era indispensável", afirma o ex-Presidente da República, que acredita no regresso de Sócrates à política activa: "Acho que Sócrates não tem a ideia de deixar a política. Penso que tem a ideia de fazer uma pausa, meditar, estudar, reflectir, ler e depois se verá". Soares acredita que "daqui a seis meses, um ano", as pessoas começarão a dizer que, afinal, Sócrates "não era tão mau como isso".

Sobre as eleições internas dentro do partido que fundou, Soares rejeita apoiar qualquer um dos candidatos, António José Seguro ou Francisco Assis. "Sou amigo de ambos, ambos me telefonaram para falar comigo antes." Mas o militante número 1 lembra que agora não tem nenhuma função no partido e, apesar de dar pistas para a recuperação da esquerda - em Portugal e na Europa - não tomará posição nas eleições internas.

Mário Soares é muito crítico do rumo que a Europa atravessa neste momento e lamenta a falta de capacidades dos actuais dirigentes europeus. Durão Barroso não é poupado.

"Durão Barroso fez mal em se demitir do governo português para ir para a Comissão Europeia, porque ganhava mais", disse Mário Soares, que relembra que foi contra - em conjunto com vários dirigentes socialistas europeus - a recondução de Durão Barroso, apesar do apoio expresso de José Sócrates e do governo português.

A "blairização" da esquerda europeia, durante algum tempo, também é criticada por Soares, que faz críticas violentíssimas ao ex-primeiro-ministro britânico. "Sempre fui contra Blair, nunca achei que tivesse mérito. É um homem inteligente, pessoalmente muito simpático". Mas é "um homem sem princípios, que queria subir na vida, que queria enriquecer como enriqueceu e hoje é um potentado". Não perca esta noite, no Canal Q, e amanhã, na íntegra, no i.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close