Professores sem formação para implementar o programa Educação para a Saúde
por Rute Araújo , Publicado em 11 de Julho de 2009
Falta formação para responder ao programa do Ministério da Educação
Professores, pais e Ministério da Educação (ME) estão de acordo num ponto: falta formação aos docentes para lidar com os alunos no que diz respeito às matérias da saúde.
O ME gastou, só no ano passado, uma verba total de 1,65 milhões de euros para que as escolas pudessem implementar e desenvolver o programa "Educação para a Saúde".
No entanto, um inquérito realizado junto de 1154 escolas nacionais, ontem divulgado, revela que, apesar do interesse de alunos e professores nas temáticas ligadas ao programa (que são tão vastas como a educação sexual, a toxicodependência ou os hábitos alimentares), há "necessidade de promover competências dos profissionais da escola" em áreas como "a violência, a saúde mental e o consumo de substâncias psicoactivas".
Os pais também subscrevema conclusão. "A maior parte dos professores está muito interessada em ter mais conhecimentos. Sentem que têm falta de competências nestas matérias", diz o vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), António Amaral. "Querem saber como podem e devem abordar determinados assuntos mais complexos, como a educação sexual nas salas de aula", acrescenta.
O líder do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores, Ilídio Trindade, partilha da mesma opinião e admite que existem "áreas de intervenção que necessitam de especialistas específicos, que não simples professores, mesmo que tenham formação académica na área". O responsável acredita que a formação para a saúde "tem sido bastante esquecida, em termos de formação global dos professores".
Além disso, sublinha, é uma área que tem representado "uma sobrecarga acrescida para os professores, pois têm de a realizar fora do seu horário de trabalho".
Segundo o inquérito às escolas, desenvolvido pelo ME, as temáticas ligadas à saúde têm sido abordadas nas várias disciplinas, além das áreas curriculares não disciplinares. Contudo, Ilídio Trindade recorda que "a um professor de línguas ou Matemática, salvo raríssimas excepções, nunca foi dada, possibilitada ou reconhecida a necessidade de formação na área da saúde".
o inquérito As conclusões do inquérito, a que o i teve acesso, revelam que a grande maioria das escolas (95%) integra a Educação para a Saúde, mas mais de metade não dispõe de gabinetes de apoio (que prestam aconselhamento aos alunos). A alimentação, a sexualidade e as infecções sexualmente transmissíveis são os principais conteúdos do programa e ministrados principalmente nas disciplinas de Ciências Físicas e Naturais e Biologia (95%) e Educação Física (85%).
O ME garante por outro lado que cruzados estes resultados com estudos sobre o comportamento dos adolescentes se percebe "uma diminuição de comportamentos de risco". Além disso, o ministério garante que "um número crescente de escolas" refere como importantes as "orientações políticas emanadas pelo ME". Rosa Ramos
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