Educação

São ainda poucos os que aprendem nas horas vagas

Publicado em 11 de Julho de 2009   
Estudo solicitado pelo governo demonstra que o e-learning representa apenas três por cento dos cursos superiores. Peritos internacionais dizem que a qualificação dos portugueses passa pelo ensino à distância
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Chegou há 20 anos e pouco ou nada avançou. O ensino à distância em Portugal representa apenas três por cento dos cursos superiores e só tem 11 mil estudantes espalhados no país ou no estrangeiro. Os números constam de um estudo solicitado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior a uma equipa de peritos internacionais que, dados os fracos resultados obtidos ao longo destas duas décadas, recomendou ao governo uma maior aposta no sector para subir o nível de qualificação dos portugueses.

O primeiro estudo sobre ensino à distância em Portugal, apresentado ontem em Lisboa, recomenda ao governo um "papel dominante" na concessão de subsídios às instituições que promovem esta vertente de aprendizagem. Por enquanto, a Universidade Aberta, que inaugurou o conceito em 1988, é o único instituto português em que todas as licenciaturas, mestrados, doutoramentos e cursos de aprendizagem ao longo da vida são ministrados à distância. As universidades do Porto, Lisboa, Aveiro ou Minho oferecem alguns programas e cursos e-learning, mas é na Universidade Aberta que estão 90% dos estudantes do ensino à distância. Entre os quase 10 mil alunos, a maioria vive em Portugal, mas há ainda 30% de alunos espalhados por países como Angola, Moçambique, Cabo Verde ou Timor.

Seja qual for a região do país ou do mundo, o ensino à distância representa sobretudo uma segunda oportunidade para os que já têm um emprego, uma família e querem começar, mudar ou completar uma formação. "São sobretudo mulheres de meios urbanos que estudam à noite, aos fins-de-semana ou durante as férias", explica Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta.

A flexibilidade para poder estudar nas horas mais convenientes é a grande vantagem do ensino à distância, que, segundo o estudo encomendado pelo governo, só chegou a Portugal uma década depois de estar difundido nos países mais desenvolvidos da Europa.

Ainda mais tarde começou a Catalunha. A comunidade autónoma de Espanha, com pouco mais de sete milhões de habitantes, inaugurou o e-learning na Universidade Aberta da Catalunha em 1995 e, década e meia mais tarde, conquistou quase 45 mil estudantes de toda a região. O exemplo é utilizado no estudo para mostrar como o crescimento deste método de aprendizagem não tem qualquer relação com a dimensão geográfica ou demográfica de um país. De acordo com as conclusões do documento, a expansão do ensino à distância só pode acontecer se este for suportado por fundos públicos.


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