legislativas 2011

Última oportunidade. Partidos centram ataques em Sócrates

por Liliana Valente, Luís Claro, Kátia Catulo, Pedro Vaz Marques, Rita Tavares e Sónia Cerdeira, Publicado em 30 de Maio de 2011   
Na recta final da campanha, a oposição aposta no assalto a quem votou PS em 2009. Sondagens estão ao rubro
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Mais cinco dias de campanha antes do veredicto final. A pressão das sondagens é enorme, até porque a julgar pela média dos últimos números (ver páginas 14 e 15), o próximo primeiro-ministro arrisca-se a estar entre os que piores votações conseguiram para chegar a São Bento. Para além disso, o empate técnico entre esquerda e direita mantém-se. Na recta final, as caravanas realinham estratégias e é unânime o objectivo de quem tem estado na oposição: o assalto aos votos socialistas.

É assim à direita, com Passos Coelho e Paulo Portas a apostarem agora tudo na caça aos eleitores que votaram no PS nas últimas eleições. Mas também é assim com Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã que - picardias com Portas à parte - nesta última semana de campanha avança "para os grandes distritos para disputar os votos com o PS", revelou numa conversa com o i (ver página 19). Um efeito dos estudos de opinião que continuam a colocar o PS de Sócrates próximo do PSD de Passos Coelho.

Entre os sociais-democratas, depois de na primeira semana a campanha ter centrado esforços no apelo ao voto útil à direita, na recta final até às eleições Passos atira para o outro lado. O objectivo é fazer um discurso virado para as pessoas "mais de carácter social, de abordagem ao centro", explicou ao i fonte do PSD. Os barómetros das intenções de voto mostram ainda uma grande margem de indecisos e por isso a aposta será rebater os argumentos socialistas de defesa do Estado Social. Para empurrar o partido para a "maioria ampla", "clara", "forte" que Pedro Passos Coelho pede a cada esquina, nesta última semana, vão ainda estar na campanha Marcelo Rebelo de Sousa e a conselheira de Estado, Leonor Beleza e ainda Francisco Pinto Balsemão e Rui Rio.

No PS, a aposta também passa por encontros com "individualidades". Os dois últimos dias mostram isso mesmo, ainda que com alguns percalços (ver texto da página 18). A estratégia de Sócrates não vai sofrer grandes alterações na última semana. A intenção é, como tem acontecido até aqui, ir adaptando a mensagem aos acontecimentos, aproveitando as "gaffes" e as alegadas contradições de Passos Coelho.

Se os ataques contra o PSD vão subindo de tom o mesmo não se pode dizer do CDS, que tem sido poupado às críticas de Sócrates e dos principais oradores nos comícios. Com excepção de José Junqueiro, que tentou trazer para a campanha socialista o caso dos submarinos, Portas foi, até agora, um dos intocáveis. Por um lado há quem pense, na campanha socialista, que um bom resultado do CDS pode dar a vitória ao PS e, por outro, se o PS voltar ao governo Portas pode ser a solução para um governo maioritário.

No CDS, nesta última semana de campanha, o "Paulinho das feiras" deixará de ir a tantas e apostará mais em empresas, saúde e educação. Vai andar por território mais de esquerda (Beja, Faro e Évora) para "tentar alargar o eleitorado em eleitorados que não são típicos", diz ao i o director da campanha, João Rebelo. E ontem Paulo Portas já começou a piscar o olho a esse eleitorado (ver texto da página 21). Também na CDU, à entrada na última semana de campanha, Jerónimo de Sousa acrescentou como objectivo seduzir os apoiantes dos outros partidos, sobretudo os "desiludidos" do PS.

A incerteza é muita, mas começa a ser cada vez mais sólida a ideia de que o próximo primeiro-ministro estará entre os que pior votação conseguiram para chegarem ao cargo. A média ponderada nas últimas cinco sondagens publicadas, dizem que Passos Coelho estará nos 35%. Pior do que isso, só Cavaco Silva em 1985 (eleito com 29,8%) e Mário Soares em 1976 (com 34,8%). Em 1983, o fatídico ano do FMI em Portugal, Soares foi eleito com 36,1% dos votos.


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