Incidentes. PS vitimiza-se e lança suspeitas sobre adversários políticos
Publicado em 28 de Maio de 2011
Passos rejeita culpas sobre o que se passou em Faro. Ontem, em Coimbra, Sócrates teve novo protesto
O episódio de quinta-feira à noite em Faro não ficou por ali. Os manifestantes contras as políticas de Sócrates plantaram-se à porta do comício socialista na cidade e a cena acabou mal, com um detido e oito pessoas identificadas pela PSP. O carro de Sócrates saiu com dificuldade entre os protestos, o suficiente para ontem os socialistas voltarem à carga e levantarem suspeitas sobre os adversários. Passos Coelho até já veio garantir que nada tem a ver com o caso, que condena. Ontem à noite, no comício de Coimbra, Sócrates voltou a ter uma recepção de protestos.
Ontem, em Guimarães, no discurso ao almoço, Sócrates ignorou o caso, mas não deixou de alimentar a ideia de que existe uma campanha contra si. "Há mais de seis anos que andam a fazer uma campanha de ódio, de ataques pessoais", disse o secretário-geral do PS. E deixou para Santos Silva a tentativa de virar os protestos, no comício da Pontinha, contra o PSD, desafiando Pedro Passos Coelho a esclarecer se condenava a manifestação.
Passos Coelho já tinha condenado o tema logo pela manhã, em Vila Real, mas deixou uma frase de que o PS não gostou. Entre os lamentos profundos quanto ao que se tinha passado, o líder do PSD também falou sobre a reacção a este tipo de manifestações de "revolta": "Também não é normal que quando as pessoas se querem manifestar sejam tratadas de forma violenta". Já Santos Silva aproveitou a deixa para atirar: "Julga que essas pessoas são as vítimas e não os culpados." "Não pode haver lágrimas de crocodilo", rematou o socialista. Ficou para Santos Silva a concretização clara da estratégia da vitimização, acusando mesmo os adversários de lançarem "uma campanha dirigida contra o líder do PS", através do "insulto pessoal", apelando à direcção do PSD para que abandone "esta lógica de ataques pessoais".
"Quer o PS criar aqui um facto de campanha imputando a alguém do PSD a responsabilidade pelo que se passou no Algarve?", contra-atacou Passos Coelho, a partir de Chaves, pouco depois do repto deixado por Santos Silva. O líder dos sociais-democratas aproveitou ainda para separar o seu partido dos incidentes de Faro: "Não tenho nenhuma responsabilidade."
Teoria socialista Certo é que entre os socialistas cedo começou a circular a teoria de que o PSD tinha responsabilidades no caso. Tanto que logo na noite de quinta-feira Miguel Freitas (do PS-Algarve) relacionou a contestação com "outro partidos. Não disse qual, mas um dos participantes assumiu-se como apoiante de Passos Coelho. Mais tarde foi detido pela PSP por recusar identificar-se e o comício acabou com os manifestantes e os apoiantes do PS frente a frente no momento de maior tensão desde o início da campanha. Um cenário que o PS arriscava nesta campanha e que chegou no final do quinto dia de estrada eleitoral.
Durante o comício da noite, enquanto Soares, Vieira da Silva e por último José Sócrates discursavam nunca deixou de se ouvir o protesto dos manifestantes, que apupavam as intervenções do outro lado da estrada. Os manifestantes dividiam-se em vários grupos e exibiam cartazes contra as portagens na A22 e em defesa de uma auditoria às contas públicas. Uma dezena de pessoas protestava também contra os despedimentos na Ground Force.
Ontem nas redes sociais foram lançadas mais suspeitas. No Facebook, José Lello apontava o dedo ao Bloco de Esquerda: atacaram de novo a campanha do PS. "Desta vez, os agressores vieram do pólo oposto. Militantes bloquistas cometeram desacatos, desafiaram, insultaram, assobiaram, provocaram e interferiram no comício do PS em Faro. Uma vergonha e uma total ausência de tolerância democrática. Anda muito nervosismo pelas hostes adversárias. Porque será?" E André Figueiredo, membro do secretariado nacional do PS, deixava também no Facebook mais uma suspeita, ao dizer que o PS tem vindo "a ser alvo de manifestações que nada têm de espontâneas, antes pelo contrário, o insulto e as palavras de ordem são sempre as mesmas. Lamentável, esta triste táctica".
O episódio foi criticado por todos os partidos. CDS, Bloco e PCP condenaram que seja perturbado um comício partidário. Mas depois de seis anos de governação e com a responsabilidade sobre a aplicação de sucessivos pacotes de austeridade o cenário era esperado. Ontem à noite, no comício em Coimbra, Sócrates voltou a ter à porta cerca de 20 manifestantes com três faixas: "Queremos o metro do Mondego." A obra suspensa em 2010 tem levantando protestos dos utentes do ramal da Lousã. Liliana Valente e Luís Claro com K.C., P.V.M., R.T. e S.C.
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