PS ignora troika. Proença quer plano debatido na campanha

Publicado em 27 de Maio de 2011   
Secretário-geral da UGT, João Proença, foi à campanha dizer que faz falta debater programa assinado com a troika
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Em plena campanha eleitoral, numa iniciativa na Amadora, o socialista e secretário-geral da UGT João Proença defendeu que o programa da troika deve ser discutido durante a campanha eleitoral. "Era fundamental discutir melhor o programa da troika", defendeu Proença numa conversa com o i, sustentando que os partidos devem debater "em que medida isso condiciona os programas eleitorais".

Proença considera que essa discussão é decisiva, já que, se por um lado há medidas que não são discutíveis, por outro também há "outro tipo de questões que deixam margem de manobra na construção de políticas concretas". A posição é assumida por João Proença, apesar de o PS ter afastado o plano que o governo delineou com a troika desta campanha eleitoral. No período oficial, José Sócrates nunca se referiu ao memorando de entendimento ou às medidas que são exigidas ao país e que o próximo governo vai ter que aplicar.

Já a necessidade de um acordo a seguir às eleições continua na ordem do dia na caravana socialista. Ontem foi a vez de Jorge Lacão vir desafiar o líder do PSD a decidir-se de uma vez por todas. "Ele tem de dar uma palavra decisiva", defendeu o homem que foi ministro dos Assuntos Parlamentares neste último ano e meio e que teve a seu cargo a ligação entre o governo e uma Assembleia da República que, ao contrário da eleita em 2005, contava apenas com uma maioria relativa do PS. Tendo em conta essa experiência, Lacão esteve ontem em campanha para defender que "o país não pode viver nesta tensão permanente". "Precisamos de diálogo", apelou Lacão, numa altura em que é visível que há opiniões diferentes entre os socialistas sobre como o partido deve comportar-se, no que a entendimentos diz respeito, no dia seguinte às eleições.

DEBAIXO DE CHUVA O dia de José Sócrates começou com uma acção de campanha no centro Novas Oportunidades da Amadora, onde mais uma vez atacou Passos Coelho por desvalorizar o programa posto em prática pelos governos socialistas. Nesta visita compareceram os candidatos por Lisboa - Alberto Costa, Maria de Belém e, entre outros, a independente Isabel Moreira - e o cabeça-de-lista Ferro Rodrigues criticou a forma como está a decorrer a campanha, classificando-a como a mais "suja" dos últimos anos.

No dia em que a comitiva mais quilómetros fez - entre Lisboa e o Alentejo, no mesmo dia -, José Sócrates foi bem recebido numa arruada na Amadora, durante a qual, no meio da confusão, várias pessoas caíram e o secretário-geral do PS acabou por ter de falar debaixo de chuva. "Esta chuva não vai impedir o partido do povo de fazer campanha", disse Sócrates, que logo a seguir partiu para Cuba, no Alentejo, onde foi recebido por dois grupos de cantares alentejanos. "Lamento não poder responder, porque não sou bom em cantorias", disse Sócrates, que, num discurso no Largo Cristóvão Colombo, exaltou um governo que "nunca virou a cara ao Alentejo".

Antes falou o presidente da Câmara de Cuba, Francisco Orelha, que levou para o comício uma folha A4 que dizia: "Catroga, procura-se." Os socialistas aplaudiram, mas nem todos resistiram. Enquanto Sócrates exibia a obra feita pelos seus governos nos últimos seis anos, uma mulher desabafou: "Não posso ouvir isto", e foi-se embora.


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