Cinema

"A Árvore da vida". Filme com poucas palmas leva a melhor palma - a de ouro

por Luís Leal Miranda, Publicado em 23 de Maio de 2011   
"A Árvore da Vida", de Terrence Malick, vence o Festival de Cinema de Cannes depois de uma estreia pouco calorosa
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Para além de algumas praças de touros, deve haver poucas salas de espectáculo em que os artistas são tão vaiados como os cinemas de Cannes. Na Riviera francesa são permitidas as mais ruidosas manifestações de desagrado, quebrando com uivos e assobios o glamour da cerimónia mais importante do cinema Europeu. Mas depois de "A Árvore da Vida", filme de Terrence Malick, ter recebido ontem a Palma de Ouro, ser vaiado em Cannes parece ter adquirido um significado diferente - ou perder todo o significado.

"A Árvore da Vida" estreou na primeira noite do festival e foi recebido com frieza. Um jornalista do "Hollywood Reporter" notou que os aplausos duraram apenas três minutos, um valor muito abaixo do que costuma receber um realizador tão conceituado - a média é de dez minutos. O crítico do "The Independent" assinalou os assobios e uivos da audiência, mas desvalorizou. Afinal Malick, que com "A Árvore da Vida" estreia o seu quinto filme em quase 40 anos de carreira, é conhecido por polarizar as audiências. As relações de amor-ódio com o seu trabalho vão tornar-se mais ruidosas agora que tem o prémio mais desejado do festival nas mãos.

"Há que admirar a preserverança de Malick", escreveu Geoffrey Macnab no "The Independent" depois de ver o filme. "Nenhum outro realizador americano, nem sequer Stanley Kubrick no seu auge fez um filme tão idiossincrático como "A Árvore da Vida". É um filme experimental de duas horas que mais facilmente poderia passar numa galeria de arte do que num cinema. Cheio de monólogos interiores, flashbacks e flashforwards, é lírico, mísitico, inspirador e às vezes muito frustrante", conclui.

Frustrante também é resumir a história de um filme complexo, o trabalho da vida de Terrence Malick que foi descrito por alguns produtores como "uma loucura". É a história de Jack, da infância à idade adulta, e da maneira como ele é moldado pela família, sociedade e natureza.

Malick, que evita qualquer tipo de exposição mediática desde os anos 70, não compareceu em Cannes para receber a Palma de Ouro.

"A Árvore da Vida" estreia em Portugal esta quinta-feira, 26 de Maio


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