Protestos em Espanha inspirados pela geração à rasca portuguesa

por Sara Sanz Pinto, Publicado em 18 de Maio de 2011   
Polícia impediu manifestantes de protestarem no centro de Madrid. Os 19 jovens detidos desde domingo foram ontem postos em liberdade
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A polícia madrilena impediu na madrugada de ontem centenas de pessoas de passar a noite na Puerta del Sol, na capital espanhola, para protestar contra o governo do país e exigir várias mudanças. A manifestação foi organizada pelo movimento 15-M, que quer acabar com o bipartidarismo instalado entre o PSOE e o PP e diz estar farta das atitudes da classe política. O grupo de protesto espanhol, semelhante à geração à rasca portuguesa, usou acção levada a cabo em Portugal no dia 12 de Março como modelo.

"Na altura em que organizámos o primeiro protesto eles entraram em contacto connosco", explicou ao i João Labrincha um dos organizadores da manifestação da geração à rasca e fundador do movimento M12M. "Tenho ideia de que a seguir à nossa manifestação fizeram uma coisa semelhante mas que por ser a um dia da semana não teve muita adesão", acrescentou.

Na madrugada de segunda-feira, a mesma petição que circulou no domingo durante as manifestações de protesto organizadas em mais de 50 cidades espanholas voltou a estar presente. Fartos de não serem ouvidos pelos dirigentes políticos de Espanha, este grupo de jovens que quer manter presente esta exigência, apelam, tal como em Portugal, à mudança na forma de fazer política.

Como já seria de adivinhar, quem esteve bem atento aos protestos foram os partidos políticos, especialmente os de esquerda, que logo na manhã de ontem começaram com tímidos apoios aos activistas, para atrair votos para as eleições regionais e municipais que decorrerão no dia 22 de Maio. Em Sevilha, o coordenador federal da United Left, Cayo Lara, condenou e lamentou a forma como a polícia dispersou os manifestantes e responsabilizou o PSOE e o PP por terem dado ordens à polícia para os "expulsar". "Apoiamos este movimento de rebeldia e indignação porque somos parte dele, mas sem oportunismo nem protagonismo. Não os queremos liderar", afirmou Lara, pedindo aos jovens para votar no dia 22 para "castigar o poder" e "todos os ''Botines'' do sistema financeiro".

Também o candidato à presidência da câmara de Madrid pelos socialistas, Tomás Gómez, mostrou simpatia pelas exigências apresentadas na Puerta del Sol. "Digo aos jovens rebeldes que me identifico com as suas reivindicações, mas digo-lhes que existe um meio para mudar o mundo, para mudar o que está mal, que é a política", sublinhou.

As manifestações de domingo terminaram com 18 detidos e a concentração na madrugada de segunda-feira acrescentou mais um à lista. Segundo um advogado de um dos detidos, contactado pelo jornal espanhol "El País", as 19 pessoas foram postas em liberdade durante a tarde de ontem mas com acusações de conduta desordeira e agressão das autoridades. Mas a versão dos jovens é outra. "Fomos pacíficos até a polícia nos ter provocado", explicou um dos manifestantes. "A polícia jamais provoca", respondeu o presidente da Câmara de Madrid, Alberto Ruiz-Gallardón (PP), relembrando os confrontos e a queima de contentores após as manifestações de domingo.


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