Europa
Foram descobertas 41 novas drogas em 2010
por Marta F. Reis, Publicado em 12 de Maio de 2011
Relatório europeu sublinha que as novas substâncias entram no mercado a um ritmo sem precedentes
Em 2010 foram detectadas no mercado europeu quase duas vezes mais novas substâncias psicoactivas do que em 2009, um ritmo de crescimento "sem precedentes", dizem as autoridades europeias. Um novo relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, divulgado ontem em Lisboa, revela que no ano passado surgiram 41 substâncias psicoactivas, entre derivados sintéticos de drogas já conhecidos, produtos à base de plantas e variações de medicamentos.
Num comentário ao recorde de substâncias, apanhadas no sistema de alerta rápido da Europol e do observatório, o Reitox, o director da polícia europeia Rob Wainwright sublinhou que a emergência de "drogas legais" é um problema central da luta europeia contra a droga. "Notamos também que associações criminosas organizadas estão cada vez mais activas na produção e distribuição."
O relatório sublinha que, pela primeira vez, surgiram no mercado derivados de duas drogas bem conhecidas: o pó de anjo (ou PCP) e a quetamina, um anestésico. O documento destaca ainda o facto de estas drogas sintéticas serem cada vez mais acessíveis online, o que exige uma avaliação mais eficaz. "Se a capacidade de detecção já existe, o sistema actual não tem capacidade para antecipar ameaças emergentes, através da compra, síntese e estudo dos novos compostos", conclui o relatório, sublinhando que é preciso mais financiamento para a análise forense e investigação nesta área a nível europeu. No relatório verifica-se por exemplo que apenas cinco novas drogas, e nenhuma detectada pela primeira vez no ano passado, foram base de alerta europeu quanto a potenciais efeitos adversos.
Na lista de novas drogas, que discrimina o local de detecção, verifica-se que o Reino Unido, a Noruega e a Irlanda são os pontos de origem mais comuns. Quinze das novas substâncias são cantinonas sintéticas, com efeitos semelhantes ao das anfetaminas e que incluem a mefedrona (miau-mau). A outra categoria mais comum é a dos canabinóides sintéticos, vendidos livremente como misturas para queimar em ambientadores mas que acabam, muitas vezes, por ser fumados. M. F. R.
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