Religião

Peregrinos. Centro Nacional de Cultura criou novos caminhos para chegar a Fátima

por Rosa Ramos, Publicado em 10 de Maio de 2011   
O objectivo passa por afastar os peregrinos das estradas. Para chegar ao santuário há seis novos caminhos. Basta seguir as setas azuis
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A ideia nas peregrinações é nova em Portugal, mas já tem longa tradição noutros países. Em Espanha, por exemplo, para Santiago de Compostela ninguém caminha horas a fio em cima de alcatrão e por estradas nacionais cheias de trânsito. Este ano, o Centro Nacional de Cultura (CNC) quer levar os peregrinos dos vários pontos do país a Fátima por vias alternativas, em segurança e em maior contacto com a natureza, pelo que só em 2011 vão ser "inaugurados" seis novos trilhos que conduzem ao santuário e que se vêm juntar ao único percurso até agora devidamente sinalizado em Portugal. O Caminho do Tejo liga Lisboa a Fátima, num total de 140 quilómetros (percorridos, recomendavelmente, em cinco dias), passando por Vila Franca e Santarém.

Esta semana estão a ser terminadas as verificações no Caminho do Norte, com mais de 300 quilómetros e que passa em Valença, Porto, Coimbra e Fátima, além de fazer a ligação a Santiago de Compostela. E ainda este mês será marcado em tempo recorde - apenas um dia - o Caminho da Nazaré, que, ao longo de 50 quilómetros, atravessa os concelhos da Nazaré, Alcobaça, Ourém, Batalha e Porto de Mós.

"O que se pretende, um pouco à semelhança do que acontece em Espanha com os caminhos de Santiago, é afastar os peregrinos das estradas, tornando a caminhada mais segura, e proporcionar um contacto maior com a natureza, passando por pontos de interesse natural e religioso", explica Lourenço de Almeida, da direcção do CNC, ao i. Além de evitar atropelamentos, casos comuns nas peregrinações, os novos caminhos - assinalados com uma seta azul - "ajudam a revitalizar as aldeias e pequenas povoações" por onde passam, garante o CNC.

Ainda este ano, no Outono, serão recuperados e sinalizados o Caminho do Nor-deste (que começa em Bragança e permite ligação a Santiago de Compostela), o Caminho das Beiras (com partidas da Guarda, Covilhã e Castelo Branco) e dois Caminhos do Mar (um com início em Cascais e passagem em Sintra, Mafra, Torres Vedras e Bombarral e outro com início em Aveiro). Mais atrasados estão os Caminhos Além-Tejo, que começam em Faro, com passagem por Beja e Évora. "Está a ser feito um levantamento para perceber o que outras entidades têm feito no Alentejo e no Algarve", explica ainda Lourenço de Almeida. Todos os caminhos têm contado, até à data, com a colaboração das câmaras municipais.

O CNC espera ainda para saber se os peregrinos vão aproveitar esta forma para chegar a Fátima: "A ideia que temos é que os peregrinos tradicionais de Fátima reagem mal ao que é novo", admite Lourenço de Almeida, lembrando que até agora a maior adesão tem vindo de peregrinos estrangeiros, "que quando chegam a Portugal ficam espantadíssimos ao perceber que milhares de pessoas caminham por estradas nacionais".

GNR com duas operações Todos os anos, estima a GNR, uma média de 35 mil peregrinos rumam a Fátima e este ano a Guarda vai ter duas operações no terreno. Além da habitual Fénix, centrada no santuário, arrancou a 29 de Abril a operação Peregrino Seguro, que pretende acompanhar os peregrinos e prevenir comportamentos de risco. O dia de arranque da operação é simbólico: a 29 de Abril de 2010 dois peregrinos morreram atropelados a caminho de Fátima, na zona da Sertã. "É uma maneira de recordar o incidente e sensibilizar as pessoas para a necessidade de caminhar de forma segura", explica o tenente-coronel Joaquim Nunes, do comando territorial da GNR de Santarém. O patrulhamento está a ser reforçado sobretudo nas estradas nacionais, que continuam a ser as vias mais usadas para chegar a Fátima. "Não é o ideal, mas é a única solução, por falta de alternativas", admite o tenente-coronel.

No início da operação Peregrino Seguro a GNR deixa alertas para as estradas sem bermas - ou com bermas em mau estado - e para as "condições de iluminação deficitárias ou quase nulas, aumentando o risco de atropelamentos".

As recomendações dos militares que patrulham as estradas referem uma vez mais a necessidade de não circular nas faixas de rodagem, de caminhar em fila indiana, com coletes reflectores, longe de IP e IC, e aconselha os peregrinos a não fazerem mais de 30 km por dia ou com auscultadores nos ouvidos e evitarem as horas de maior calor.


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