Visto de fora

Economia VSP

por Paul Krugman, Publicado em 09 de Maio de 2011   
O "Washington Post" é um centro de Very Serious Persons (Pessoas Muito Sérias) - muito mais do que o "New York Times" - e este artigo contém a essência da economia VSP, edição 2011
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Dean Baker e Mark Thoma indignaram-se – e com razão – acerca de um editorial do “Washington Post” sobre política económica, que diz que temos de actuar, com urgência, em relação ao desemprego mas que exclui qualquer acção.


Deixem-me, no entanto, sugerir que este editorial é, na realidade, um artigo de coleccionador. O “Washington Post” é um centro de Very Serious Persons (Pessoas Muito Sérias) – muito mais do que o “New York Times” – e este artigo contém a essência da economia VSP, edição 2011. A sabedoria política, como é descrita pelo “Washington Post”, é inteiramente ditada pelo medo das coisas que não acontecem: a expansão fiscal será um convite ao ataque por parte de vigilantes invisíveis de obrigações, se tentarmos a expansão monetária, o monstro da inflação que está escondido debaixo da cama sairá para nos comer. O problema que realmente temos – o problema que o “Post” diz que não podemos deixar que aconteça – parece não ter qualquer importância.


Para além disso, pense na teoria económica que parece estar subjacente a este artigo, uma teoria que é extraordinária na sua inconsistência.


Uma das maneiras de pensar a política no ambiente actual é levar a sério a macroeconomia de compêndio. Se o fizer, esta aponta para a necessidade da expansão fiscal e para qualquer expansão monetária que se conseguir a valores próximos do zero.


Há, se insiste, uma alternativa: podemos dizer que a ideia de que as recessões têm a ver com a procura agregada está errada, que sofremos uma espécie de choque estrutural por causa do mau investimento e que nem as políticas fiscais ou monetárias podem ajudar – na realidade, qualquer tentativa para mitigar o colapso deixaria por fazer o trabalho das depressões. Considero esta visão loucamente inconsistente com as provas, mas pelo menos é internamente consistente.


Ora, o editorial do “Washington Post” tenta seguir os dois caminhos. Os estímulos fiscais e monetários “evitaram que o desemprego ficasse fora de controlo” – mas, de alguma forma, fazer mais do mesmo seria desastroso. Suponho que devemos acreditar que existe uma espécie de não linearidade que faz com que a quantidade de estímulos já tomados seja positiva mas que mais estímulos, por mais ligeiros que sejam, será algo de negativo. Seria interessante pensar que tipo de modelo poderia gerar tal resultado.


Estou a brincar, é claro. Não há qualquer modelo, apenas a insensatez da elite. E, infelizmente, são estes os escribas que moldam a visão dos loucos que hoje detêm a autoridade.


Economista Nobel 2008

Jornal i/The New York Times



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