PSD quer renegociar com a troika limites para as deduções fiscais

Publicado em 06 de Maio de 2011   
Catroga diz que ajuda ao país já vai em 118 mil milhões de euros. PSD quer acabar com grande parte das empresas municipais e intermunicipais
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O PSD deu o "ok" ao acordo com as instâncias europeias, mas menos de 24 horas depois já aponta o dedo a algumas medidas. Os sociais-democratas querem negociar, caso sejam eleitos governo, os limites para as deduções fiscais em sede de IRS e dizem que querem ir mais longe na extinção de empresas municipais.

Ontem Eduardo Catroga explicou que a troika "não está a ver bem o problema", essencialmente na área da saúde. Caso o PSD seja eleito governo, Catroga deixa a garantia de que os sociais-democratas vão querer aumentar os limites para deduções fiscais, principalmente na área da saúde. Se isso não acontecer, vai "aumentar a pressão no Serviço Nacional de Saúde", defende, e assim ter o efeito contrário: aumentar a despesa do Estado.

Na prática, o PSD quer, na reavaliação que os técnicos do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia vão fazer a cada três meses, aliviar a carga fiscal por via do IRS. "Devemos ser prudentes em retirar os benefícios fiscais com as despesas de seguros de saúde, por exemplo", explicou Catroga. De acordo com o ex- -ministro das Finanças de Cavaco Silva, e apontado como o futuro ministro da pasta caso Passos Coelho ganhe as eleições, "este é um aspecto em que o PSD vai muito seriamente demonstrar que a filosofia de cortes cegos não funciona". Mas Catroga não falou nas medidas alternativas para arrecadar receita para o Estado, que se perderia com as despesas com os reembolsos do IRS.

Para já o PSD diz "sim" ao acordo que aumenta os impostos directos, como o IVA e o IMI, e indirectos, como o IRS. O PSD vai apresentar o programa eleitoral no próximo domingo, e o coordenador do documento levantou o véu para dizer que o partido defende uma política fiscal de emergência, de carácter transitório e outra para o futuro. E será nesse quadro para o futuro (sem data) que os sociais-democratas irão propor as alterações às deduções em IRS e ao IVA. Neste último, o PSD defende que se deve preservar a taxa mínima para "o cabaz alimentar básico".

Para já, e caso seja eleito, o PSD vai ter de governar com as linhas mestras definidas pela troika. Mas isso não parece um impedimento para Catroga, que diz que o FMI "representa uma nova esperança. Afinal não é um diabo à solta que ia prejudicar os portugueses", explicou. Apesar disso, o programa acordado "pode ser a base de partida, mas o PSD entende que esta base de partida pode ser melhorada, se for governo". E não afastou a hipótese de uma renegociação do empréstimo. Sem revelar se considera que o valor de 78 mil milhões de euros é suficiente para as necessidades do país, Catroga diz apenas que renegociar o empréstimo "depende da nossa capacidade de execução". Uma coisa é certa para o economista, a ajuda externa ao país ultrapassou os números do governo. Uma vez que, defende, o resgate "é apenas a continuação do processo de ajuda que já se iniciou há um ano". Nas contas, Catroga diz que "somando os 40 mil milhões [de financiamento via BCE], o total de ajuda financeira excepcional para Portugal é de 118 mil milhões, cerca de 30% da riqueza anualmente produzida pelos portugueses".

Empresas A restruturação do Estado tem sido ponto de honra para o PSD e será um dos pontos do programa eleitoral, que nesse aspecto vai "ser mais radical do que a troika". "Toda e qualquer empresa municipal e intermunicipal que não tenha 50% da receita de origem mercantil, ou seja, receita oriunda do mercado que não seja público, deve ser extinta", avançou. Catroga deu como exemplo empresas que apenas promovam "espectáculos culturais" e que pesam nos orçamentos das câmaras, aumentando a despesa do Estado.

"Nós, se formos governo, prometemos solenemente que vamos acabar com isto, que vamos moralizar os gastos públicos, todo este Estado gordo paralelo. E aí vamos muito mais longe do que a troika", reforçou. É nessa linha que o PSD vai propor as privatizações de algumas empresas públicas. Os sociais-democratas, apesar do acordo com a troika, querem privatizar "parcialmente de uma forma indirecta" a Caixa Geral de Depósitos. Na lista o PSD incluiu ainda a empresa Águas de Portugal.

E foi relativamente ao Sector Empresarial do Estado que Catroga teve algumas desavenças com a equipa da troika. O PSD propôs uma tranche do empréstimo para a recapitalização das empresas públicas mas foi negado pela equipa de Thomsen. Mesmo assim admite que "vai haver uma restruturação do sector", em que será avaliado o estado das empresas porque "muitas delas vão ter de mudar de vida", refere.

SCUT avançam Depois dos avanços e dos recuos na última legislatura, caso o PSD seja eleito, as portagens nas Scut vão avançar. "O PSD sempre defendeu o princípio do utilizador/pagador", reafirma Catroga.

No programa de governo do PSD vai ainda estar o TGV. Mas Catroga defende uma pausa na construção da linha de alta velocidade Lisboa-Madrid e depois uma renegociação com Espanha e com a União Europeia. O PSD tem defendido uma suspensão da linha de TGV e diz agora que deve ser criado um novo modelo de concessão. Para Catroga, o risco tem de ser assumido pelo operador que fique com a exploração da linha e depois deve ser alterado o projecto da própria linha, que "está todo mal concebido": "É possível fazer aquilo com 50% do custo."


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