A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) classificou hoje como positivo que Portugal tenha conseguido um empréstimo internacional de cerca de 78 mil milhões de euros, mas considerou os respetivos juros demasiado elevados.
"Com a informação disponível é preocupante que a União Europeia insista em impor spreads da ordem dos 200 pontos base, procurando obter ganhos significativos com o empréstimo a conceder e castigar a economia portuguesa. Tudo o que sejam taxas acima dos 3,25 por cento, 3,50 são excessivas e injustificáveis", diz um comunicado da CCP.
Para a confederação o pagamento de juros elevados vai hipotecar o país durante, "pelo menos, uma década, sobretudo, quando é estimado um crescimento de médio/longo prazo abaixo dos juros a pagar".
Portugal deverá pagar um juro de cerca de dois por cento acima da taxa de mercado pelo empréstimo que vai contrair junto dos seus parceiros europeus, de acordo com fonte comunitária ouvida pela Agência Lusa.
Às taxas de mercado que têm por base a Euribor terá de se acrescentar um 'spread' de 2 por cento e ainda mais algumas décimas relacionadas com o custo de funcionamento da operação, segundo a mesma fonte. Ou seja, se Portugal fizesse hoje o empréstimo, teria de pagar uma taxa de juro de 4,17 por cento, já que a Euribor a 12 meses está hoje fixada em 2,17 por cento.
Na nota de imprensa emitida hoje a CCP considerou ainda que o problema da dívida pública portuguesa não é resolúvel sem crescimento económico e redução dos encargos com a dívida.
"Políticas económicas recessivas acompanhadas de taxas de juro muito elevadas, por um lado, condenam o país a percorrer um longo ciclo de empobrecimento e, por outro, agravam o efeito de bola de neve da dívida não afastando a possibilidade de um incumprimento futuro", alertou a confederação patronal.
Para a CCP uma solução satisfatória sería a "descida dos juros da dívida e uma reestruturação coordenada e satisfatória da dívida existente nomeadamente quanto aos prazos de pagamento, em linha com a correspondente redução das hipóteses de incumprimento".
A Confederação do Comércio considerou, no entanto, positivo que o memorando de entendimento entre o Governo e 'troika' introduza um conjunto de compromissos detalhados em matéria de redução de custos na Administração central, regional e local dando "um passo importante para a redução do peso do Estado na economia".




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