Futebol Internacional

Cristiano, Real, à sua maneira

por Filipe Duarte Santos, em Madrid, Publicado em 07 de Julho de 2009   
"Cumpri o meu sonho de criança, jogar em Madrid", desabafou CR9 num estádio cheio.
Opções
a- / a+
"Florentino Peréz é um sem-vergonha... Não se pode pagar quase 100 milhões de euros por um jogador quando há milhões de espanhóis na pobreza", gritava um madrileno pelas esplanadas da Gran Via, diluído em álcool mas fora da bebedeira colectiva que levou ontem 80 mil adeptos ao Santiago Bernabéu para a mais extraordinária apresentação de um futebolista.

A figura em causa: Cristiano Ronaldo. Acolhido por Di Stefano como se agora fizesse parte de uma nobreza que todos sonham e nenhum outro clube alcança, como se o Manchester United tivesse sido apenas passagem, como se só agora chegasse ao topo, ou o superasse.

Cristiano Ronaldo. Num palco e num estádio enorme, inveja de qualquer estrela rock, ao som de Xutos & Pontapés ("Minha Maneira") e a passear aquele sorriso pleno, genuíno e real de satistação como se toda a sua vida tivesse sido planeada para chegar ali. "Cumpri o meu sonho de criança, jogar em Madrid", disse, entre um beijo a uma criança, um autógrafo a outra, o punho fechado a bater no peito sempre que via uma bandeira portuguesa.

Cristiano Ronaldo. Ao lado de Eusébio, o melhor futebolista português de sempre que veio a Madrid ouvir o seu nome cantado por 80 mil gargantas. "Fantástico, fantástico, fantástico?", dizia Eusébio ao i, sem outras palavras, também ele estupefacto com aquele ambiente.

Cristiano Ronaldo. O miúdo de 24 anos que reuniu crianças e jovens, desde manhã, à porta de um estádio, que fez a polícia fechar ruas e ao final do dia ainda chamava famílias inteiras ao Bernabéu, correndo loucas pelos acessos às bancadas, à procura de um miradouro para um palco verde, decorado com as nove taças dos campeões europeus.

Cristiano Ronaldo. O reforço que pulverizou a apresentação de Kaká (50 mil) e igualou a de Maradona em Nápoles há 25 anos. A cara de um clube, de um segundo projecto galáctico. E a quem os adeptos, entre a "hola" e os delírios mais normais de um jogo épico, pediam o triplete: campeonato, taça e Liga dos Campeões.

Cristiano Ronaldo. Madrid aguardava-o há muito, desde 2006, depois do Mundial da Alemanha. "O que está a acontecer aqui hoje talvez não tenha precedente. O Real Madrid acolhe esta noite um daqueles capazes de gerar a maior das ilusões. Cristiano, bem-vindo!", discursou Florentino Peréz, sempre eloquente, também a seduzir o mercado que está do nosso lado da fronteira. "Obrigado aos nossos amigos portugueses", dizia. Também à sua maneira.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close