Kadhafi incentiva tropas a cometerem violações com Viagra e preservativos
Publicado em 30 de Abril de 2011
Além de levarem a cabo a campanha de violência sexual, as forças do líder entraram ontem na Tunísia estendendo o conflito além-fronteiras
Os Estados Unidos acusaram o regime de Muammar Kadhafi de fornecer Viagra ao exército, de forma a incentivar violações. A questão foi abordada na quinta-feira numa reunião à porta fechada do Conselho de Segurança das Nações Unidas. De acordo com as agências de informação, enquanto a Rússia e outros países argumentaram que a patrulha da zona de exclusão aérea - por parte da França, do Reino Unido, dos EUA e aliados - ultrapassava o mandato da ONU, aprovado pelo Conselho de Segurança e prevendo "todas as medidas necessárias" para proteger os civis, a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, insistiu que as acções respeitavam as resoluções.
Segundo declarações à agência de um diplomata presente na reunião, Rice disse que as forças de Kadhafi estavam a "entregar Viagra aos soldados para eles irem e violarem". Outro diplomata que assistiu às acusações da embaixadora norte- -americana na ONU afirmou que os comentários faziam parte de uma discussão com outro responsável e visavam sublinhar o que "a coligação se confronta com um adversário que está a fazer coisas repreensíveis".
Os rumores de que as tropas leais a Muammar Kadhafi andariam a tomar o medicamento também têm circulado nos tablóides britânicos e, de acordo com declarações de um médico na cidade de Ajdabiya no mês passado, os soldados receberam Viagra e preservativos para uma campanha sexualmente violenta.
Depois de criticar a coligação ocidental, o embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, sublinhou que as resoluções 1970 e 1973, que permitem a intervenção militar para proteger civis, têm de ser implementadas com rigor e precisão. "Estamos preocupados com uma espécie de tendência de escalada do conflito militar que está a provocar mais vítimas civis", explicou Churkin aos jornalistas.
No terreno Forças leais ao líder líbio Muammar Kadhafi entraram ontem na Tunísia, estendendo o conflito além-fronteiras. O exército líbio usou a sua artilharia contra a cidade tunisiana de Dehiba, destruindo edifícios e ferindo pelo menos um civil.
De acordo com o jornal espanhol "El Mundo", um grupo de soldados invadiu a localidade com um camião para perseguir rebeldes líbios, que se têm vindo a refugiar no país vizinho, após as tropas de Kadhafi terem assaltado um posto fronteiriço controlado pela oposição ao regime. O edifício foi tomado há mais de uma semana pelos rebeldes dada a sua relevância estratégica - fica na única estrada que liga as montanhas Ocidentais ao mundo exterior.
Segundo declarações dos rebeldes, a vantagem das forças de Kadhafi no que toca ao local durou apenas algumas horas e o posto foi reconquistado pelos opositores.
Segundo a agência Reuters, alguns soldados do líder líbio também morreram ontem e outros acabaram feridos. Dois residentes contaram ainda que zona tunisiana foi bombardeada por tropas do outro lado da fronteira. Dados os avanços e retrocessos, cessar-fogos temporários e violência indiscriminada, os confrontos devido ao posto entre a cidade tunisiana de Dehiba e a líbia de Wazin são mais uma etapa do confuso conflito que teve início em meados de Fevereiro.
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