Do ponto de vista comunicacional, José Sócrates não conseguiu fazer passar a mensagem das suas políticas. O resultado foi o desaire nas eleições europeias. Não terá sido um problema dos conteúdos, mas sim erro no veículo escolhido. Neste contexto, Sócrates funcionou ao longo da legislatura como se fosse um filme, um spot de rádio ou um outdoor. Ele, sempre ele e só ele, esteve lá, com grande frequência, visibilidade e em prime time... mas poucos captaram a sua mensagem. O segundo erro foi, logo após as eleições e numa desenfreada gestão de crise, ter vestido a "pele de cordeiro". Uma inversão que o deixou ainda em "piores lençóis". Ninguém muda assim de um dia para o outro, muito menos um homem com uma personalidade tão egocêntrica e dominadora. Menosprezou a inteligência dos "consumidores", um erro que penaliza qualquer campanha e qualquer produto.
Sócrates achou que fazendo passar uma imagem de humildade, de homem consensual e dialogante - depois de nos ter habituado a um discurso sempre crispado e autoritário - emendava os anteriores erros de comunicação e mudava a sua imagem num ápice. Uma estratégia errada e um flagrante erro de casting. É como fazer um anúncio de papas para bebés, lindos e rechonchudos, e pôr a mãe exausta, sempre zangada a ralhar com a criança para ela comer, mas com um rasgado sorriso nos lábios. Ninguém acredita! publicidade, é isto mesmo: construir ídolos, criar desejos e vender emoções.
Publicitário




Rating: 0.0
Actividade em ionline