Em plena negociação da ajuda externa e depois dos apelos do Presidente da República, José Sócrates vem garantir que está disponível para entendimentos com o PSD, “qualquer que seja o seu líder”. “Acho possível e desejável um entendimentos entre o PS e o PSD e outros partidos que estiverem interessados.” Foi com esta frase que José Sócrates respondeu à pergunta sobre o pedido de Cavaco Silva para que os partidos tenham contenção nas palavras para não inviabilizarem um acordo depois das eleições.
Com a troika a terminar o trabalho até ao final de Maio, garantiu o primeiro-ministro, é necessário, “num momento como este”, que os “políticos ponham de parte questões pessoais”, por isso, admitiu, está disposto a dialogar com “qualquer que seja o líder do PSD”.
Um entendimento que Sócrates também quer ver já no compromisso que vai ter de ser assumido pelo Estado português com a troika que está em Portugal a negociar a ajuda externa.
Já o Presidente da República deve ficar de fora, diz José Sócrates. A responsabilidade é agora dos partidos – excluindo o PCP e o BE que, “infelizmente”, se colocaram de parte das negociações, disse. “Não quero agora que o Presidente da República venha rubricar um acordo”, explicou na entrevista à TVI ontem à noite.
Sócrates quer um acordo alargado até porque diz que não quer “comprometer o país sem ter o mandato necessário”, por o governo estar em gestão. “Não posso garantir que vou fazer algo que está dependente da vontade dos portugueses”, explicou. A propósito, Sócrates até diz que “teria sido preferível pedir ajuda depois das eleições”, para que já fosse um governo legitimado a conduzir as negociações.
Sobre as negociações que já decorrem, o primeiro-ministro avisa que o que aí vem “não é melhor do que o PEC [IV]”. “Acha que o programa que vamos ter vai ser melhor do que o PEC? Não vai. Tínhamos um melhor e deitaram-na fora”, disse José Sócrates.
O primeiro-ministro apelou ao sigilo dos envolvidos nas conversas, que devem ser mantidas em “discrição”, e acusou a comunicação social de estar apenas a “especular” sobre as medidas, numa reacção à notícia sobre a possibilidade de o subsídio de férias ser pago em títulos da dívida pública. “Desminto todas essas informações que vêm nos jornais porque não são verdadeiras”, afirmou.
Já em clima de pré-campanha, Sócrates ensaia o discurso de culpabilização dos sociais-democratas. Sócrates insiste que foi o chumbo do PEC IV que precipitou o recurso à ajuda externa e insiste que a actual situação podia ter sido evitada: “Nunca a desejei e fiz tudo o que era possível para que isso não acontecesse. Ao contrário de outros que apelavam a que isso acontecesse.”
“Não foi um dia feliz para mim” Com os rumores de uma relação difícil entre o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, Sócrates quis ficar com o ónus da culpa do pedido de ajuda externa. “Não foi um dia feliz para mim”, disse, depois de esclarecer que o “pedido de ajuda foi muito mais rápido” do que estava à espera.
Sócrates garante que tudo foi coordenado com Teixeira dos Santos e que no dia em que o ministro das Finanças respondeu ao “Jornal de Negócios” a dizer que Portugal ia pedir ajuda “estava determinado a fazer essa comunicação. Tomei consciência da situação dos nossos bancos. Os bancos estavam com dificuldades de financiamento junto do BCE”.
O afastamento do ministro Teixeira dos Santos das listas do PS “não tem nenhum significado especial”, explicou ainda. As notícias sobre a má relação entre ambos “não passam de pura intriga”, esclareceu. “É meu amigo e é amigo do PS, contarei sempre com ele para toda a minha vida”, reforçou.
Ao seu lado também não irá ter a família em campanha. Ao contrário do líder do PSD. Sobre este ponto, Sócrates diz que, “por amor aos filhos”, não vai incluir a família na campanha. “Esse não é o meu género”, rematou.




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