Fórmula 1
Robert Kubica. A resurreição em 11 semanas
Publicado em 25 de Abril de 2011
O piloto polaco, católico convicto, recebeu alta hospitalar exactamente no domingo de Páscoa. Só daqui a quatro meses se deve saber se pode voltar a pilotar
A vida de Robert Kubica teima em rodar junto do tema religião, mesmo que muitas vezes o piloto polaco nada faça por isso. Como neste parágrafo, mesmo sem um grande esforço é possível ligar os elementos religiosos desta história a um particular momento no percurso do piloto nascido em Cracóvia há 26 anos. Ora repare: depois de ter sido internado a 6 de Fevereiro, gravemente ferido num acidente do rali Ronde di Andora, Kubica recebeu alta 11 semanas (77 dias) depois, exactamente no domingo de Páscoa. O acidente, esse, deu-se depois de bater contra o muro... de uma igreja. Já no hospital Santa Corona de Pietra Ligure, recebeu um relicário com um fragmento da batina e uma gota de sangue de Karol Wojtyla, nome de baptismo do falecido Papa João Paulo II. Era a figura do Papa que estava gravada no capacete do piloto, quando este sofreu, em 2007, um grave acidente no Grande Prémio do Canadá e saiu apenas com uma entorse no tornozelo. Acredita em bruxas? Nós também não. São apenas coincidências felizes para Robert Kubica que, apesar de tudo, deve estar aí para as curvas.
"A reconstrução dos nervos é o que demorará mais tempo. É difícil de compreender nos primeiros meses como o paciente irá recuperar", explicou o médico Riccardo Ceccarelli. A mão direita do piloto "encontrou um bom nível de sensibilidade, mas ainda não está a 100 por cento". Kubica entra agora em processo de recuperação e, segundo os médicos, só por volta de Agosto será possível perceber se estará em condições de voltar a pilotar. O braço e a mão direita do polaco sofreram graves ferimentos após o rail de segurança ter perfurado o carro e a amputação do membro chegou a ser ponderada pelos médicos. Felizmente isso não aconteceu e o piloto da Renault, que terminou o Mundial de Fórmula 1 de 2010 no oitavo lugar, poderá recuperar de forma a regressar aos monolugares da escuderia.
"Assim que deixar o hospital, vou regressar a casa, no Mónaco, para um curto período de descanso. Depois mudo-me para as instalações do Dr. [Riccardo] Ceccarelli'' em Itália, onde começarei um profundo programa de reabilitação e um suave programa de treino", afirmou Kubica. Os dois programas vão cruzar-se gradualmente, dependendo da velocidade de recuperação do piloto.
Mesmo que tudo corra bem, não será fácil a Kubica pilotar no Mundial de F1 em 2011. Depois de Agosto, sobram apenas sete das 19 datas na competição. Nick Heidfeld, que substituiu o polaco na Renault, conseguiu atingir o pódio na Malásia (terceiro lugar) e terminou na 12º posição na Austrália e na China.
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