Brasil
Maria João Pires não quer só uma nacionalidade, quer duas
Publicado em 06 de Julho de 2009
A pianista, afinal, não deixará de ser portuguesa. Apenas soma um país e ganha um passaporte
Maria João Pires nunca pensou em renunciar à nacionalidade portuguesa. Numa nota ontem do seu advogado, esclarece-se que a intenção da pianista de adquirir a dupla nacionalidade vem de "há vários anos" e nada tem a ver com os tempos conturbados vividos na Associação Belgais, que fundou em 1999.
Na semana passada, depois de em Junho ter sido tornada pública a dívida e o arresto de pianos e outros materiais didácticos do projecto artístico sediado em Castelo Branco, a "Antena 2" avançou que Maria João Pires iria trocar a nacionalidade portuguesa pela brasileira, em resposta aos "coices e pontapés" do governo português.
"Há três anos que Maria João Pires se encontra afastada da referida Associação, não exercendo nela quaisquer funções directivas ou quaisquer outras actividades", salientou ontem o advogado, acrescentando que a dupla nacionalização foi "decidido na sequência da sua alteração de residência para o Brasil e do que pretende realizar naquele país".
Maria João Pires está afastada da direcção da Associação Belgais há três anos, estando a trabalhar no lançamento de um novo projecto hoteleiro em Salvador da Baía, a "Toca do Toco".
O projecto artístico, actualmente gerido pela filha Joana Pires, enfrenta um processo no tribunal de Castelo de Branco por dívidas ao Conservatório regional. Em 2005, na preparação do Concurso Internacional de Acordeão, a instituição terá adiantado os cachets dos músicos, pagamento a cargo da associação. O arresto de bens no valor de 78 mil euros prende-se ainda com a falta de pagamentos de três meses de ordenados a cinco ex-funcionários. Não é certo que os principais projectos - a Escola da Mata e um coro infantil - reabram no próximo ano lectivo.
Joana Pires diz que está a fazer tudo para salvar os projectos, mas o futuro só deverá ser conhecida nas próximas semanas. "Despedimos funcionários para não termos que declarar insolvência a meio do ano. Perdemos patrocinadores e donativos e só lhes podíamos pagar o que o Ministério da Educação nos dava", disse à "Lusa".
No encerramento das aulas, os encarregados de educação apelaram à manutenção do projecto. Marta F. Reis
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