Edite Estrela critica Sócrates e diz que Teixeira dos Santos seria "mais-valia"

por Ana Sá Lopes, Publicado em 22 de Abril de 2011   
A dirigente, próxima do líder do PS, lamenta que o ministro não tenha sido convidado para as listas
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A decisão da direcção do PS de não convidar o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para as listas não é consensual dentro do partido e merece críticas mesmo de alguns dos mais próximos de José Sócrates. "Lamento que não tenha sido convidado", diz ao i Edite Estrela, que pertence ao secretariado do PS, defendendo que Teixeira poderia ser "uma mais-valia" nas listas do partido. "Se ele tinha vontade só posso lamentar", acrescenta a eurodeputada. Esta decisão é desfecho de vários conflitos entre Sócrates e o ministro das Finanças, em especial sobre a forma de reagir à crise.

O director de campanha, Vieira da Silva, deixou claro que foi o PS a tomar a iniciativa de retirar Teixeira dos Santos das listas às legislativas. "Todas as coisas na vida começam e acabam", disse Vieira da Silva, que coordenou a elaboração das listas. O gabinete do ministro das Finanças, questionado pelo i, disse: "Confirma-se que o professor Teixeira dos Santos não foi abordado por ninguém para fazer parte das listas."

A relação entre o primeiro-ministro e o seu ministro das Finanças tem vindo a degradar-se. Quando Teixeira dos Santos anunciou o recurso ao FMI, numa entrevista por email ao "Jornal de Negócios" , já o caldo com Sócrates estava entornado. Apesar de estar lentamente a preparar o caminho para o resgate, Sócrates foi surpreendido pelo anúncio do ministro e obrigado a convocar inopinadamente uma comunicação ao país para as 20h00 dessa quarta-feira negra.

A relação já se tinha estragado durante as negociações para o PEC IV, quando estiveram em Lisboa para negociar o pacote de austeridade elementos da Comissão Europeia e do BCE. Teixeira dos Santos sempre foi defensor de cortes mais radicais e de um pedido de ajuda ao FMI há mais tempo; Sócrates quis resistir até ao fim. A desconfiança entre os dois estava tão instalada que Sócrates acredita que a pressão dos banqueiros tem o dedo do seu ministro, que recebeu os banqueiros no Terreiro do Paço. Teixeira dos Santos estaria do lado do governador do Banco de Portugal e dos banqueiros (cuja pressão foi determinante para o resgate).

Apesar das divergências, a relação entre os dois tinha sido genericamente boa. Sócrates defendeu o ministro contra a ala esquerda do PS - não deixa de ser irónico que tenha sido Vieira da Silva, o grande derrotado dentro do governo pela supremacia de Teixeira - a vir a anunciar ao país o despedimento do ministro das Finanças.

O ex-porta-voz do PS, Vitalino Canas, entende que o afastamento se deu por motivos políticos. "Não havendo motivos de natureza pessoal invocados, certamente foram razões de natureza política, mas não quero ir mais longe", diz ao i. "Quem deu a cara pelas medidas mais difíceis foi o primeiro-ministro - nunca se refugiou atrás do ministro das Finanças", afirma.

Nas últimas legislativas, Teixeira dos Santos foi o número dois pelo Porto. O presidente da federação, Renato Sampaio, disse, antes da reunião da Comissão Política, que Teixeira não entrou nas listas "por vontade própria". Confrontado com o facto de o titular da pasta das Finanças não ter sido convidado pelo PS, Sampaio diz que prefere não se pronunciar e lembra que essa opção dependia da vontade da direcção nacional e não da estrutura distrital.


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