A relação acabou. Sócrates despede ministro das Finanças das listas

por Luís Claro e Sónia Cerdeira, Publicado em 21 de Abril de 2011   
"Todas as coisas na vida começam e acabam", disse Vieira da Silva para justificar a ausência do ministro das Finanças
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Os ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros ficaram de fora das listas do PS à Assembleia. Por razões distintas e com tratamentos diferentes. Luís Amado sai com o partido a chamar-lhe "camarada", Teixeira dos Santos é deixado cair com estrondo.

À saída da reunião, o ministro da Economia e director de campanha do PS, Vieira da Silva, explicou que Amado há muito manifestara "vontade de não continuar com intensidade na vida política". Já em relação a Teixeira dos Santos, que há dois anos foi número dois pelo Porto, afirmou que "não se colocou a questão de o convidar". "Não lhe posso explicar as razões. São convidadas centenas de pessoas, não são convidados milhares de pessoas. Todas as coisas na vida começam e acabam", justificou Vieira da Silva. Teixeira dos Santos é ministro das Finanças de Sócrates desde Julho de 2005 - entrou para substituir Campos e Cunha. Sócrates retira-o da história do seu PS em plena negociação da ajuda externa.

O caso da saída dos ex-ministros não foi discutido na reunião que aprovou as listas. As divergências entre o ministro das Finanças e o núcleo duro Sócrates foram visíveis durante os últimos tempos de governação. O número dois do PS, António Costa, chegou mesmo a considerar "desastrosa" a forma como Teixeira dos Santos apresentou o PEC IV.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, será o quarto por Lisboa, depois de durante anos ter sido o cabeça-de-lista por Santarém. A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, é a número três por Braga, enquanto o ministro da Justiça, Alberto Martins, que em 2009 foi cabeça-de-lista pelo Porto, segue agora como número dois, logo atrás do líder parlamentar, Francisco Assis. O ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, também entra nas listas do Porto, no quinto lugar.

A ex-secretária de Estado e testemunha no processo Face Oculta, Ana Paula Vitorino, é a sexta pelo Porto, depois de ter sido afastada da direcção do partido.

Entre as novidades estão Isabel Maya Moreira, filha de Adriano Moreira - fundador e ex-líder do CDS-PP - que entra nas listas de Lisboa como independente. Tal como André Figueiredo, homem de confiança Sócrates, que ganhou protagonismo dentro do partido ao passar a secretário nacional para a organização. A actriz Inês de Medeiros continua.

De fora das listas ficaram os deputados Marques Júnior, capitão de Abril, e Strecht Ribeiro, vice-presidente da bancada - decisão que desagradou a vários socialistas, incluindo Alberto Martins que levantou mesmo a questão durante a reunião, ontem à noite, na sede do PS, no Rato. Vera Jardim, histórico socialista, saiu por vontade própria e disse que estava disponível para entrar na campanha ao lado de Ferro Rodrigues, cabeça-de-lista em Lisboa. As deputadas Teresa Venda e Maria do Rosário Carneiro, que fazem parte do Movimento Humanismo e Democracia, também foram excluídas devido ao fim do acordo político entre os dois partidos que vigorava desde António Guterres.

As listas de deputados foram aprovadas por braço no ar, distrito a distrito, numa combinação "de renovação e experiência, independentes e quadros jovens", disse Vieira da Silva, e com ampla maioria. O maior número de abstenções (11) foi nas listas de Leiria, onde Basílio Horta, fundador do CDS, é cabeça-de-lista, e o maior número de votos contra registou-se em Faro, que tem à frente João Soares. Em Castelo Branco, a lista liderada por Sócrates foi aprovada por unanimidade.

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