Taça do Rei

Ronaldo. O golo numa final com duas caras e uma Cibeles

por Rui Catalão, Publicado em 20 de Abril de 2011   
Real Madrid trava Barcelona. Primeira parte superior, segunda em dificuldade... e o golo da vitória já no prolongamento
Opções
a- / a+

O Mestalla fica a meio caminho entre Camp Nou (354 km) e o Santiago Bernabéu (362 km). Talvez tenha sido essa a principal razão para a federação espanhola marcar a final da Taça do Rei para Valência. Certo é que a decisão ajudou a tornar ainda mais especial o segundo de quatro jogos entre Barcelona e Real Madrid no espaço de duas semanas e meia. Afinal foi aqui, em 2009, que Pep Guardiola conquistou o seu primeiro título como treinador (Taça do Rei, 4-1 ao Athletic Bilbao). Mas o Mestalla também tinha um significado especial para o Real: a última vitória na Taça, há 18 anos, tinha acontecido aqui.

 

Com o campeão espanhol ainda por oficializar, catalães e madridistas lutavam neste jogo pelo primeiro troféu da temporada. Sem Puyol, Pep Guardiola juntou Mascherano a Piqué. José Mourinho voltou a resistir às críticas dos anciães do Real e apostou num onze preocupado em fechar os caminhos ao Barcelona. E só fez uma alteração em relação ao jogo de sábado: Benzema ficou no banco, Ozil saltou para a equipa titular.

 

A estratégia funcionou por completo na primeira parte. O Real entrou coeso, a trabalhar como uma equipa solidária. Ronaldo estava sozinho na frente, com Di María e Ozil por perto, mas nem por isso a equipa da capital espanhola atacou menos. Na verdade, até foi o Barcelona quem não conseguiu impor o seu jogo. Mourinho adiantou Pepe ainda mais no meio-campo e a pressão funcionou: o Barça errava muitos passes, estava quase irreconhecível. O luso-brasileiro ainda apareceu lá na frente para assustar, a um minuto do intervalo. Ronaldo tocou de ombro para Ozil, na direita, e o alemão cruzou para a cabeça de Pepe. Depois só o poste travou o golo. Antes já Ronaldo tinha aparecido duas vezes na cara de Pinto.

 

A segunda parte trouxe outro filme. E não foi por alguém ter ligado o sistema de rega ao intervalo. Era essa a vontade dos catalães, mas os merengues não aceitaram. Mesmo assim, o Barcelona começou a crescer e o Real Madrid a encolher. Ficava a dúvida: a equipa de Mourinho perdera o fulgor ou encontrara Guardiola o antídoto táctico para desfazer o bloco do adversário? O tempo encarregar-se-ia de provar que era um pouco dos dois. Os jogadores merengues deixaram de preencher bem o espaço – o cansaço terá sido o maior responsável – mas Xavi, Messi e companhia também pegaram de vez no jogo. Pedro (75’) e Iniesta (81’) quase marcaram – só as defesas de Casillas evitaram o golo. À beira do fim foi o contrário: Di María rematou, Pinto salvou a sua equipa. E num ápice já estávamos no prolongamento.

 

No duelo de gigantes – Messi vs. Ronaldo – era o argentino que levava a melhor. Cada vez que pegava na bola fugia a um, dois, três, até quatro ou cinco adversários. Mas não conseguia resolver. CR7, que falhara uma grande oportunidade na primeira parte, reapareceu no prolongamento para dar o golo que faltava ao Real Madrid: Di María cruzou, o avançado português não imitou Pepe e acertou na baliza.

 

A partir daí entrámos numa guerra de relógios. O Real acelerava-o, a perder tempo sempre que possível, o Barça tentava pará-lo à medida que cercava a área merengue. O marcador é que já não se mexeu. Mourinho ganhou o primeiro título como treinador do Real e os adeptos que estavam no Mestalla até já tinham à sua espera uma réplica da Cibeles – a escultura no centro da praça onde a equipa costuma celebrar as conquistas – logo ali em Valência.



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close