"Os portugueses, quando pensam no PS, pensam em dívida, quando pensam no PSD pensam em dúvidas"

por Pedro Vaz Marques, Publicado em 19 de Abril de 2011   
Portas já escolheu quem vai chefiar a equipa que irá avaliar o plano de resgate a Portugal, António Pires de Lima. Em entrevista à TVI estica as críticas ao PSD
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António Pires de Lima é o nome indicado por Paulo Portas para liderar a equipa que vai avaliar o acordo que a troika da ajuda externa vai propor a Portugal, e princípio até ao final da próxima semana. Em entrevista à TVI,  o líder do CDS quis vincar as diferenças com o PSD e assumiu que os centristas querem “colocar o interesse nacional acima de tudo.”

 

Por duas vezes, Portas frisou que o partido “não é subalterno de ninguém” e fez questão de numerar algumas diferenças em relação ao PSD, como a proposta dos sociais-democratas de extinguirem o Ministério da Agricultura, a privatização da CGD “neste momento”, o limite aos salários dos gestores públicos (que o PSD travou no Parlamento) ou a política do medicamento. O PS também não ficou fora das críticas de Paulo Portas mas em tom mais suave: “Se os portugueses, quando pensam no PS, pensam em dívida, quando pensam no PSD pensam em dúvidas,” diz Portas.
 
O tom é de discrição em relação ao plano de resgate. “Portugal deixou-se cair numa posição muito difícil. Por isso mesmo, o CDS assume uma posição institucional de fazermos poucas declarações, para mostrar a importância destas negociações”, sustentou Portas, sublinhando que os assuntos abordados pelos representantes do partido na reunião desta manhã com a troika do FMI, BCE e CE vão ser transmitidos ao governo e ao PSD.

 

Das propostas já reveladas hoje, Portas insistiu no “travão ao endividamento”, com a suspensão das grandes obras e a renegociação das Parcerias Público-Privadas. No entanto, o presidente centrista vincou que “o crescimento económico é fundamental e é do interesse dos credores que Portugal cresça”. Quanto ao acordo com a troika estrangeira, Paulo Portas remeteu o ‘sim’ para mais tarde, revelando que será António Pires de Lima, presidente do Conselho Nacional do partido, a liderar a equipa, que contará ainda com especialistas em política fiscal, social, finanças públicas e direito comunitário. O que está fora de questão, disse Portas, é a alteração das pensões mais baixas. “As pensões mínimas na Grécia e na Irlanda não foram atingidas e isso não pode acontecer em Portugal, tal como previa o PEC IV,”afirmou.

 

O presidente do CDS lamentou a situação “humilhante” e “vexatória” em que Portugal se encontra, frisando que é preciso “mudar de vida”, de forma a “libertar gerações da hipoteca e desta fado” e evitar que Portugal se veja de novo obrigado a recorrer ao FMI.

 

Paulo Portas revelou ainda que falou com Passos Coelho sobre o convite a Fernando Nobre para encabeçar a lista do PSD por Lisboa, mas recusou-se a fazer qualquer comentário.

 



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