António Pires de Lima é o nome indicado por Paulo Portas para liderar a equipa que vai avaliar o acordo que a troika da ajuda externa vai propor a Portugal, e princípio até ao final da próxima semana. Em entrevista à TVI, o líder do CDS quis vincar as diferenças com o PSD e assumiu que os centristas querem “colocar o interesse nacional acima de tudo.”
Por duas vezes, Portas frisou que o partido “não é subalterno de ninguém” e fez questão de numerar algumas diferenças em relação ao PSD, como a proposta dos sociais-democratas de extinguirem o Ministério da Agricultura, a privatização da CGD “neste momento”, o limite aos salários dos gestores públicos (que o PSD travou no Parlamento) ou a política do medicamento. O PS também não ficou fora das críticas de Paulo Portas mas em tom mais suave: “Se os portugueses, quando pensam no PS, pensam em dívida, quando pensam no PSD pensam em dúvidas,” diz Portas.
O tom é de discrição em relação ao plano de resgate. “Portugal deixou-se cair numa posição muito difícil. Por isso mesmo, o CDS assume uma posição institucional de fazermos poucas declarações, para mostrar a importância destas negociações”, sustentou Portas, sublinhando que os assuntos abordados pelos representantes do partido na reunião desta manhã com a troika do FMI, BCE e CE vão ser transmitidos ao governo e ao PSD.
Das propostas já reveladas hoje, Portas insistiu no “travão ao endividamento”, com a suspensão das grandes obras e a renegociação das Parcerias Público-Privadas. No entanto, o presidente centrista vincou que “o crescimento económico é fundamental e é do interesse dos credores que Portugal cresça”. Quanto ao acordo com a troika estrangeira, Paulo Portas remeteu o ‘sim’ para mais tarde, revelando que será António Pires de Lima, presidente do Conselho Nacional do partido, a liderar a equipa, que contará ainda com especialistas em política fiscal, social, finanças públicas e direito comunitário. O que está fora de questão, disse Portas, é a alteração das pensões mais baixas. “As pensões mínimas na Grécia e na Irlanda não foram atingidas e isso não pode acontecer em Portugal, tal como previa o PEC IV,”afirmou.
O presidente do CDS lamentou a situação “humilhante” e “vexatória” em que Portugal se encontra, frisando que é preciso “mudar de vida”, de forma a “libertar gerações da hipoteca e desta fado” e evitar que Portugal se veja de novo obrigado a recorrer ao FMI.
Paulo Portas revelou ainda que falou com Passos Coelho sobre o convite a Fernando Nobre para encabeçar a lista do PSD por Lisboa, mas recusou-se a fazer qualquer comentário.




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