Televisão
180. Um dos poucos canais portugueses onde não se fala do FMI. É só cultura
por Clara Silva, Publicado em 20 de Abril de 2011
O 180 arranca na noite de segunda-feira na Zon com seis horas de emissão diária. Do graffiti à música clássica, é uma salada russa de cultura. O canal não tem jornalistas nem estúdio, vive das colaborações com instituições culturais
O canal 180 não tem jornalistas nem sequer um estúdio de televisão. Não existem câmaras e muito menos carrinhas de reportagem que percorrem o país. Apesar de ser um canal de televisão "low cost", palavras do fundador João Vasconcelos, não faz parte de nenhuma medida do FMI.
Se costuma fazer zapping até aos últimos canais da grelha da ZON - aproveitamos para recomendar o myzen.tv para noites de insónia e o programa "Sempre a Subir", no canal TPA, para tirar o sono -, vai reparar no recém-chegado 180. O nome não tem muito que se lhe diga: é o 180.º canal da grelha. Os conteúdos, esses sim, são novidade. É o primeiro canal português dedicado à cultura.
"Partiu da constatação de que existem vídeos, documentários experimentais e uma agenda cultural que não tem visibilidade nas plataformas tradicionais", explica João Vasconcelos. "Percebemos que havia receptividade e espaço na TV para mostrar conteúdos culturais actuais e outros criados de forma mais livre por artistas."
Em vez de produzir programas, a equipa do canal 180 (constituída por dez pessoas) aposta na "agregação" de documentários, videoclips, concertos e numa espécie de telejornal cultural (às 21h00 e às 00h00) para que possa saber que eventos estão a acontecer em Portugal e também lá fora. "Mesmo que uma pessoa não possa ir ver uma exposição a Londres ou Barcelona são sempre temáticas interessantes", afirma João.
"Rip!: Remix Manifesto", documentário do ciberactivista Brett Gaylor sobre a polémica dos direitos de autor e da propriedade intelectual, é um dos grandes destaques da programação da primeira semana de vida do canal. O 180 arranca na ZON às 20h00 de segunda-feira, 25 de Abril, e terá seis horas de emissão diária. Quem não tem o serviço, pode assistir à programação no site do canal, no Facebook ou através de aplicações criadas para iPhone e iPad. O público alvo do canal tem entre 18 e 35 anos e são "jovens e adultos informados, qualificados, viajados, culturalmente activos, artistas, cinéfilos, melómanos e apreciadores de arte".
Do graffiti à música clássica, espera-se uma salada russa de cultura.
João Vasconcelos conseguiu dar vida ao canal depois de ter apresentado o projecto na edição de 2009 do Prémio Nacional das Indústrias Criativas, promovido pela Unicer em colaboração com a Fundação Serralves. O projecto de televisão independente da empresa OSTV foi o vencedor desse ano e além dos 25 mil euros de prémio - "um valor simbólico", diz João - teve direito a todas as ferramentas necessárias para começar o canal.
Canal 180 da ZON, das 20h00 às 02h00, a partir de 25 de Abril
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