Crise. Região Norte aposta na criação de emprego
por Marta Cerqueira , Publicado em 14 de Abril de 2011
A IEMinho acredita que a criação do próprio emprego pode ser a solução
Boas ideias e iniciativa. Estes são os principais ingredientes para contrariar os números do desemprego em Portugal e apostar na criação de postos de trabalho, garantem os especialistas.
No Norte do país, onde a taxa de desemprego dos jovens ultrapassou os 25%, a criação do próprio emprego ou a abertura de um novo negócio passou a ser uma alternativa ao trabalho por conta de outrem. A IEMinho - Instituto Empresarial do Minho está a promover um concurso de ideias, com o objectivo de apoiar a constituição de novas empresas ou a consolidação de ideias com potencial de negócio. "Estamos a ajudar a estruturar ideias de negócio e queremos apoiar os novos empreendedores", explicou ao i Rui Fernandes, coordenador operacional da IEMinho.
O concurso é destinado a jovens entre os 18 e os 35 anos, recém-licenciados, técnicos qualificados, empregados ou desempregados. "Já ultrapassámos as 25 ideias que tínhamos estabelecido como meta inicialmente", acrescentou o responsável. Através de uma inscrição no portal Gabinete Online do Empreendedor, será feita a divulgação das 15 candidaturas pré-seleccionadas e finalmente serão anunciadas as melhores nove candidaturas do concurso. As ideias vencedoras receberão como prémio a participação nas missões internacionais "Empreender e Inovar lá fora".
"A principal ideia que queremos passar é que o empreendedorismo e a criação do próprio posto de trabalho podem ser alternativas viáveis à condição de trabalhar por conta de outrem", salienta Rui Fernandes.
Networking Com o nome apelativo de "So you think you can pitch", o evento de networking pretende colocar pessoas em contacto entre si, com marcas e empresas que procuram trabalhadores.
Das centenas de inscritos, são seleccionados 300 participantes que são convidados, numa primeira fase, a fazer o seu pitch em dois minutos - ou seja apresentar-se a si e às suas ideias - e a mostrar o que valem nesse curto espaço de tempo. Vale tudo na apresentação: falar de projectos, competências, ideias, paixões, ambição, sonhos, experiências de trabalho e part-time. O único requisito é que seja feito de uma forma criativa.
O painel selecciona os 40 participantes mais apelativos, que passarão à fase final, onde poderão fazer um pitch de cinco minutos frente a um júri constituído por empresários e representantes de outras entidades institucionais. "A dinâmica que se criou foi muito mais forte do que imaginámos inicialmente", contou ao i Miguel Gonçalves, um dos responsáveis pelo projecto.
Braga foi a primeira cidade portuguesa a aderir à iniciativa. "Quisemos começar pela nossa cidade, mas agora o conceito alargou-se ao resto do país e já tivemos, inclusive, propostas de internacionalização para o Brasil", acrescentou o responsável.
Nas redes sociais "Malta, o Valter Almeida já está a trabalhar na IVV Automação" ou "Malta, a Sónia Pires começa dia 1 de Maio a trabalhar na Camilo Pinto" são algumas das mensagens colocadas no mural da página do Facebook, que conta com quase mil fãs. A iniciativa vai agora até ao Porto, com as inscrições abertas até dia 17 de Maio para as áreas de design, tecnologia, gestão, marketing e comercial.
"Com o pitch, fez-se networking no sentido lato da palavra. Normalmente não existe tanta proximidade entre o candidato e a empresa que procura trabalhadores", salienta ainda Miguel Gonçalves. Neste momento, já 15 pessoas conseguiram emprego e 30 estão em fase de entrevistas.
De acordo com dados para os Estados Unidos e para o Reino Unido, 70% a 80% dos empregos não são anunciados nem em jornais ou sites, nem em agências de recrutamento; os lugares são, sim, preenchidos através de um simples processo de "passa a palavra", graças ao networking.
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