Ao principio gostei da ideia. Confesso que cheguei a aplaudir a medida. E em público. Disse mesmo: apoio esta medida! Imensa gente ouviu.
Depois, o Magalhães entrou- -me pela casa adentro e alojou-se no armário dos brinquedos, entre a Playmobil e os jogos de PlayStation. Assumiu o seu estatuto: "Sou um brinquedo. Pior que a PSP e o Wii, é certo, mas sou um brinquedo".
Então fui ver que brinquedo era esse que chegou da escola. E percebi: o Magalhães, não é exactamente um computador, é uma coisa híbrida que gostava de ser um portátil mas não é, e que gostava de ser um jogo mas também não é; no fundo é um computador dos trezentos. O som é mau, o teclado é para 18 meses, não tem a gavetinha para o CD (o que faz toda a diferença) e os supostos programas didácticos com erros ortográficos são cómicos. Se aquilo é um computador, Fernão de Magalhães é venezuelano.
Para eles o Magalhães é um brinquedo que a escola deu. Confusos? Não: estão à espera que para o ano a escola ofereça uma bicicleta, num gesto contra a obesidade infantil. Já eu acho que o malfadado Magalhães devia ser retirado, substituído pelo saudoso Spectrum, em nome do salto tecnológico, e oferecido a todos os venezuelanos e cubanos. Se eles não se importarem.
Jornalista




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