Estiveram com Nobre para Belém. Para São Bento nem por isso

por Pedro Vaz Marques, Publicado em 12 de Abril de 2011   
Estrutura de apoio nas presidenciais apreensiva com avanço pelo PSD. Nobre desaparece do Facebook
Opções
a- / a+
Dentro de dois meses, Fernando Nobre será eleito parlamentar, vai sentar-se em São Bento e o PSD quer que seja presidente da Assembleia da República, a liderar 230 "políticos profissionais". Há um mês, numa entrevista, o discurso era outro: "Partido político nem pensar, nunca. Não peço nada, nunca pedi. Por isso nunca aceitarei nenhum cargo partidário nem governativo", afirmou Nobre depois das presidenciais.

Muitos dos que estiveram na estrutura da campanha presidencial estão hoje apreensivos. "Fiquei profundamente surpreendida e triste", confessou Isabel Soares ao i, sentimento partilhado por Edmundo Pedro. "Sinto-me enganado. Então com a idade que tenho dei dinheiro, dei trabalho, andei a correr o país todo e ele não nos diz nada? É mesmo de um troca-tintas!" Em Setembro, na apresentação das linhas da sua corrida à presidência da República, Nobre até tinha estabelecido limites com os outros candidatos. "Os políticos profissionais parecem feitos de plástico ", afirmou, acrescentando: "Em vez de estar em sessões cheias de deputados, estive em hospitais de campanha."

Também há quem desdramatize e diga que uma coisa foi a corrida a Belém, outra são as eleições legislativas antecipadas de 5 de Junho. "São situações diferentes. Os 600 mil votos não são do Fernando Nobre, nem o Fernando Nobre é dos 600 mil votos", sustenta Nilton, mandatário da Juventude do antigo candidato.

Catalina Pestana, que também esteve ao lado do agora candidato a deputado, diz que "havia um acordo para as eleições presidenciais. Depois, cada um foi à sua vida e nunca mais falei com ele", diz. A antiga provedora da Casa Pia esclarece ainda que "uma coisa é a admiração pessoal, outra são as escolhas que se fazem". Diferenças também acentuadas por Nilton: "Penso que o programa de governo do PSD não se encaixa no que falámos na altura, mas esta é outra campanha."

Já João Nabais, outro apoiante de Nobre, acredita que esta foi a forma que o antigo candidato à presidência da República encontrou para "dar o seu contributo ao país", mas também diz que Nobre "deve transmitir claramente o porquê desta candidatura. Ele tem de esclarecer". João Ermida, mandatário nacional da candidatura a Belém, vê com bons olhos o avanço de Nobre. "A presença de Fernando Nobre dá credibilidade ao parlamento, já que são precisas pessoas com ética e valores morais elevados, que sejam caras novas na política." Paulo Morais, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto e que esteve ao lado de Nobre, partilha a opinião, sustentando que o convite social-democrata a Nobre até pode ser lido como "uma crítica à ''partidocracia'' por parte do próprio PSD".

Facebook desaparecido A candidatura de Fernando Nobre tem causado surpresa e até indignação entre os apoiantes nas redes sociais. "Já esperávamos esta reacção, até porque fomos avisados. É legítimo que as pessoas possam ficar desiludidas, mas esperávamos que soubessem ler esta decisão", lamenta Artur Pereira, ex-director de campanha.

Durante a tarde de ontem, a página oficial da candidatura de Nobre a Belém no Facebook foi apagada. Artur Pereira explica com "o insulto fácil em que estávamos a cair. Há uma tentativa de assassinato de carácter que não é admissível em tolerância democrática. Não faz sentido ser herói e de repente ser quase bandido". Um "herói" que, segundo João Ermida, "tanto pode salvar vidas como pode salvar a democracia", algo que "o movimento de cidadãos não compreendeu", acrescenta o antigo mandatário nacional.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close