Fernando Nobre: n'importe quoi
por Ana Sá Lopes, Publicado em 12 de Abril de 2011
A candidatura de Fernando Nobre acaba por ser a mais completa tradução da esquizofrenia que tomou conta de todos os protagonistas
Vivemos dias loucos: hoje entra o FMI, que vai escrever o programa eleitoral do PS e do PSD - com o CDS a fazer de conta que sim ou que não consoante o momento - na véspera de umas eleições legislativas. Ninguém sabe como a brincadeira vai arrancar, mas sabe-se como termina: recessão, ainda mais desemprego, crescimento zero, cortes de pensões, diminuição do poder de compra e mais crise.
Ao quinto dia da paranóia institucional, o governo decidiu ceder a assumir as responsabilidades pela liderança do processo. Depois de um sábado patético, em que os comissários europeus ridicularizaram vergonhosamente as instituições portuguesas - Presidente da República à cabeça -, Sócrates lá decidiu fazer o que lhe competia. Que o tenha anunciado no discurso de encerramento do congresso do PS é mais um pilar.
Ontem Passos Coelho, em entrevista à TVI, anunciou que dará o seu acordo à coisa cozinhada pelos homens do FMI, do BCE, da Comissão Europeia e do governo português. Se a emergência da situação financeira de um país do euro tornava difícil o adiamento de uma qualquer intervenção, a certeza de que se vai morrer da cura é razoavelmente infernal.
A campanha das "ideias" e das "propostas" e do confronto de mundivisões terminou aqui. Na realidade, não haverá campanha nenhuma, à excepção de um combate no terreno entre as personalidades Sócrates e Pedro Passos Coelho. Os dois vão desdizer tudo aquilo em que até agora acreditaram: o primeiro recusava governar com o FMI, o segundo chumbou o PEC IV por conter medidas de austeridade violentas e por ser um ataque à economia real.
Postas assim as coisas, a candidatura de Fernando Nobre acaba por ser a mais completa tradução da esquizofrenia que tomou conta de todos os protagonistas. Fernando Nobre irá dizer n''importe quoi. Não vai ser o único.
O Nobre que defendia "um Estado social forte, apoiado num moderno Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito" aceitou ser cabeça-de-lista do PSD, partido que já várias vezes anunciou que não acredita nisso. A questão é que Fernando Nobre está longe de ser o único alien da campanha. José Sócrates e Pedro Passos Coelho vão comportar-se como aliens, desdizendo, recuando, dando 50 piruetas para sustentar um discurso de campanha para um futuro governo que na prática não vai mandar nada.
Portugal tem já um novo administrador, chama-se Poul Thomsen e não concorre a 5 de Junho a nenhum cargo político.
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