Entrevista

"Fiquei muito ferido com as graçolas do PCP"

Publicado em 02 de Julho de 2009   
Opções
a- / a+

Em entrevista à SIC Notícias, Manuel Pinho disse estar "naturalmente arrependido" com a sua atitude em relação ao deputado comunista Bernardino Soares. No entanto, o ministro demissionário afirmou: "Sou uma pessoa educada, mas estávamos no Parlamento a discutir as minas de Aljustrel e fiquei muito ferido, porque depois deste trabalho, os partidos que se dizem de esquerda tomam atitudes como esta." Pinho referiu-se ao facto de o PCP desvalorizar o trabalho feito em relação às minas de Aljustrel.

"O PCP põe os seus interesses acima dos interesses dos trabalhadores", defendeu o ex-ministro

.

"Quando uma pessoa passa noites sem dormir para salvar empregos, a melhor atitude não é fazer graçolas", diz Manuel Pinho referindo-se ao seu trabalho para ajudar os mineiros de Aljustrel.

Durante a entrevista, Pinho falou também do seu "grande amigo" José Sócrates. "Apesar do meu desapego do cargo, sou muito amigo do primeiro-ministro", disse, acrescentando que "sempre me senti apoiado por Sócrates, isso é uma coisa fantástica que ele tem. Admiro-o imenso".

Sobre a demissão, Manuel Pinho diz que tomou a decisão sozinho: "Falei comigo próprio e comuniquei à minha mulher, que ficou muito feliz."

Sobre o futuro, o seu, Pinho diz: "Não faço a mínima ideia do que vou fazer. Quero passar umas belas férias." Já sobre o futuro do país mostra-se menos contente, mas salienta o trabalho do actual governo para o melhorar. Destaca o seu trabalho na área das energias renováveis.

Ainda houve tempo para falar da Qimonda durante a entrevista. Manuel Pinho tem esperança: "Creio que há a hipótese de arranjar um projecto com 100, 200 ou 300 postos de trabalho".

Já na fase final da conversa com a jornalista Ana Lourenço, revelou que político estrangeiro que mais admira é o "presidente Lula da Silva", acrescentando que já apagaram as velas juntos, visto que fazem anos em dias próximos.

Manuel Pinho disse que "há uma sensação de impunidade muito grande no nosso país, que eu acho que atrasam o progresso".

O antigo ministro da Economia, que apresentou a demissão hoje, após um gesto considerado insultuoso e ofensivo a Bernardino Soares, deputado do PCP, pediu ainda que não o convidem para manifestos, abaixo-assinados ou outro tipo de iniciativas.

"Agora, a minha vida vai ser outra", sublinhou Pinho.



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close