Campanha. Partidos sem outdoors podem poupar quase 5 milhões

por Luís Claro, Publicado em 02 de Abril de 2011   
Eis uma promessa eleitoral unânime: gastar pouco. Os partidos alinham no politicamente correcto da austeridade, mas nem todos admitem cortar nos cartazes - uma receita antiga que até já nem é muito eficaz
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Se os partidos abdicarem da propaganda eleitoral, podem poupar cerca de 5,5 milhões de euros - o dinheiro gasto na última campanha para as eleições legislativas, em 2009, só nesta rubrica. A maior fatia deste bolo é gasta em outdoors e em brindes (só aqui gastou--se cerca de um milhão de euros na última campanha).

Depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter apelado a uma campanha "sóbria nos meios", o PSD e o CDS garantem que não vão utilizar cartazes e os socialistas comprometem-se a reduzir os gastos. "Será uma campanha frugal e nem podia ser de outra maneira em tempos de austeridade", diz ao i fonte do PSD, adiantando que uma das restrições será nos outdoors - dos quais os sociais-democratas vão abdicar pela primeira vez - e onde o partido pensa poupar "entre um milhão e meio e dois milhões de euros".

O CDS também não vai colar nenhum cartaz nesta campanha. João Rebelo diz ao i que os outdoors envolvem "despesas muito grandes" e o partido consegue dessa forma poupar mais de 300 mil euros. O CDS promete também ser contido no número de comícios que vai realizar. "Temos de ter imaginação. Os comícios são caríssimos, porque envolvem um palco, um seguro colectivo para as pessoas que estão a assistir e outros gastos. Vamos apostar mais nos jantares em que cada militante paga a sua parte", garante o dirigente do CDS.

O partido de Paulo Portas conta ainda com as redes sociais e continua a apostar nas feiras e nos mercados. "A campanha vai apostar muito no contacto directo com as pessoas e nesses locais é possível falar com elas sem filtros. Não é um ambiente controlado como os comícios", explica João Rebelo.

Do lado dos socialistas, o partido está ainda a estudar os cortes que vai fazer na campanha, mas é certo que "vai haver redução de custos", de acordo com o gabinete de imprensa, que remete para mais tarde uma decisão sobre se o partido vai abdicar dos outdoors. No PCP nada está ainda definido sobre a questão, nesta altura.

Já os bloquistas não tencionam dispensar os cartazes espalhados pelas ruas do país. Jorge Costa sustenta que o Bloco é, desde que existe, o partido que gasta menos nas campanhas. "Não nos lembramos do desperdício só em alturas de crise e quando há dificuldades. Infelizmente, os outros só se lembram nas alturas críticas", afirma o dirigente do BE.

Jorge Costa questiona as boas intenções dos partidos que abdicam da propaganda eleitoral e está convicto de que "os que agora dizem que não vão utilizar outdoors são os que vão gastar mais". O deputado bloquista garante ainda que "o Bloco de Esquerda fará com outdoors a campanha mais barata de todas". Promessas a tirar a limpo dentro de poucos meses.


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