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ISEG confirma que administrador dos CTT mentiu sobre licenciatura

por Filipa Martins, Publicado em 01 de Abril de 2011   
Instituto Superior de Economia e Gestão pondera entregar o caso ao Ministério Público
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O administrador dos CTT Marcos Batista “não é licenciado, faltando várias cadeiras para terminar o curso”, confirmou ao i o vice-presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) com a tutela dos assuntos académicos. Silva Ribeiro disse ainda que “a pessoa em causa não chegou a concluir cadeiras que lhe dariam equivalência à licenciatura no formato pós-Bolonha”.
O i sabe que o que o ISEG está a ponderar entregar o caso ao Ministério Público, alegando falsas declarações prestadas pelo administrador dos CTT Marcos Batista. Ao contrário do que é afirmado pelo administrador da empresa pública, Batista não entrou em contacto com os serviços académicos da instituição de ensino para obter informações sobre a conclusão da licenciatura.


O administrador dos CTT Marcos Batista, ex-sócio do secretário de Estado Paulo Campos e por este nomeado, suspendeu ontem o mandato depois de ser questionado pelo i sobre as suas qualificações académicas. Marcos Batista terá adulterado as habilitações académicas, afirmando ser licenciado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, como consta no despacho de nomeação publicado em Diário da República. O curso, porém, não foi concluído, apurou o i junto dos serviços daquela instituição de ensino, não tendo Marcos Batista completado as cadeiras suficientes para concluir uma licenciatura pós-Bolonha.

 

Na sequência da investigação levada a cabo, o i procurou esclarecer o assunto junto do administrador na quarta-feira, sem sucesso. Ontem, Marcos Batista suspendeu o mandato na administração da empresa pública, alegando "razões pessoais" e mostrando-se "surpreendido por dúvidas" sobre a sua formação académica. "Devo referir que sempre estive convencido que o meu percurso académico com oito anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior à luz das equivalências automáticas do processo de Bolonha", referiu no comunicado interno aos trabalhadores. Marcos Batista refere ainda que solicitou "ao ISEG a devida avaliação curricular". Já a administração dos CTT refere em comunicado que Batista dirigiu "ao presidente do Conselho Fiscal da empresa o pedido de suspensão, sem remuneração, do mandato". A remuneração do administrador dos CTT ascendeu, em 2009, a 257 mil euros (último ano a que o i teve acesso), somando remuneração base, prémios de gestão e gastos com carro, comunicações e combustível.



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